A psicóloga Marta Fregonezi afirma que os filhos têm que reconhecer nos pais um referencial, algo que lhes dê segurança e limites para que possam crescer com todas as responsabilidades dentro daquilo que é permitido. Ela ressalta que a permissividade deve existir no sentido de que, se a criança manifestar curiosidade, deve então ser informada na medida certa. Tudo no seu devido tempo, sem queimar etapas. ‘‘Algumas vezes, quando a curiosidade é sobre questões sexuais, muitos pais se constrangem porque isso mobiliza sua própria sexualidade mal resolvida. Os pais devem dar espaço para o filho falar sobre suas dificuldades’’, explica ela.
Segundo os psicólogos, a entrada na adolescência reativa tudo o que aconteceu na infância. Eles dizem que nesta hora, com desenvolvimento físico, o adolescente está instrumentado para assumir seu papel na sexualidade. ‘‘E ele está muito mais assustado com isso do que seus pais, até porque está diante de muita permissividade’’, diz Marta Fregonezi. ‘‘Muitas vezes, ele tem encontros que não envolvem o menor vínculo afetivo, apenas instintivo. Esta confusão, geralmente, é a causa de uma avalanche de emoções, de um mundo novo que se abre, e de um lugar que na nossa cultura não é bem definido. Ele não é mais criança, mas também não é adulto’’, ressalta a psicóloga. Ela sugere aos pais que nesta hora passem a dar referências que marquem direitos e deveres do jovem. ‘‘Muitos pais, sem se dar conta, dão aos filhos privilégios sem nada cobrar deles. São festas, bebidas, carro e tudo o mais que a sociedade de consumo oferece. Se ele tem um comportamento sem limites, causando alguns problemas, os pais tratam de solucionar, poupando e protegendo o filho excluindo-o de uma responsabilidade que poderia ajudá-lo a amadurecer’’.
Mas nem todos têm esse comportamento graças a visão de alguns pais. A operadora de telemarketing Marlei Marcelino Cardoso cria sozinha seus filhos, de 15 e 12 anos. Ela sempre procura mostrar que tudo pode, desde que seja dentro dos limites. ‘‘A liberdade está exagerada, sem princípios. Procuro mostrar tudo o que existe, mas digo quais serão as consequências de tudo o que eles escolherem e eles mesmos acabam optando pelo bom senso’’. A pedido dos filhos, ela ensinou-os a colocar camisinha e orientou sobre o sexo responsável. Comprou cigarros para eles experimentarem e falou sobre sua ação no organismo e no mesmo dia eles desistiram de fumar. Ela diz que usa a própria mídia como aliada para explicar o que os filhos devem ou não adotar como valores. ‘‘Mostro através de revistas, de programas de TV, como as pessoas deturpam as coisas, e como às vezes têm condutas acertadas. Fazemos uma crítica aos excessos. A gente não pode impedi-los de evoluir junto com o mundo. Só que devemos orientar sobre os riscos’’, sugere Marlei.
(C.A.A.)

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