Karla Matida

Fotos: César AugustoO advogado Antonio Carlos Vianna não dispensa as baforadas diárias de um Hoyo de MonterreyBaforadas à parte, o cigarro está se tornando, cada vez mais, o vilão da história. Nos Estados Unidos, os fumantes têm restrições em restaurantes e lojas, além de marcação cerrada dos não-fumantes. E se a campanha antitabagista ganha forças, os ‘‘charuteiros’’ (essa denominação é preferível a ‘‘fumantes de charutos’’) também agitam o mercado no mundo todo.
Em São Paulo, assim como em outras capitais mundiais, estão surgindo alguns clubes de charuteiros que permitem a entrada de mulheres. Nos Estados Unidos, a ‘‘bíblia’’ dos fumantes é a renomada Cigar Aficionado. Com edições bimestrais, a revista chega a exageradas 500 páginas, a maior parte de anúncios de empresas que querem aliar sua imagem aos refinados charuteiros.
Porta-charutos e cortador: acessórios essenciais para um charuteiro
Em Londrina, um novo espaço acaba de ser criado exclusivamente para conhecedores de charutos. O proprietário Claudinei Benossi, que comercializa esse produto há seis anos, resolveu ampliar as opções abrindo uma tabacaria especializada em sua loja. O espaço tem a temperatura e a umidade controladas rigorosamente, para manter o charuto em condições adequadas. ‘‘Aumentou o consumo de charutos, e os clientes estavam exigindo mais opções’’, conta Benossi, que tem 45 clientes cadastrados e assíduos compradores.
Estão à venda charutos nacionais e importados, sem faltar, é claro, os tradicionais e famosos cubanos. Unanimidade entre os fumantes, o charuto de Havana é tido como o melhor do mundo.
É lógico que fama e qualidade têm seu preço. De acordo com Benossi, um charuto (sim, apenas um) pode custar R$ 30,00. É o caso do Hoyo de Monterrey, o preferido do advogado Antônio Vianna, que fuma um por dia, sempre após o jantar.
Para Vianna, essa é uma forma de relaxar, que conheceu há quatro anos através do conselho de um amigo que ‘‘explicou o efeito mágico da fumaça do charuto’’, conta Vianna. ‘‘Não sei se foi auto-sugestão, mas antigamente eu tomava relaxantes que tinham efeitos colaterais. Hoje o charuto tira o meu >stress’’, diz o advogado. Para Vianna, que nunca fumou cigarros, o charuto ‘‘não faz mal porque não trago’’. O ritual do charuto, para o advogado, também inclui uma certa solidão. ‘‘Fumo no escritório lá de casa, sozinho’’, diz Vianna, que prefere não ser incomodado ou mesmo visto por alguém.
Considerados os melhores do mundo, os cubanos custam de R$ 4,00 a R$ 30,00 a unidade
Uma agradável surpresa no mundo dos charutos é descobrir que o exemplar brasileiro, confeccionado na Bahia, está entre os melhores. ‘‘É o segundo’’, garante o empresário Claudinei Benossi, que também revende produtos da República Dominicana e dos Estados Unidos.
‘‘Os charutos americanos são industrializados e já vêm furados’’, explica Benossi. Charutos artesanais devem ser cortados ou furados antes de ser fumados. Para essa espécie de ritual são encontrados vários modelos de cortadores e furadores, para todos os gostos e bolsos. Desde o cortador em prata italiana, ao preço de R$ 150,00, ao modelo em plástico, a partir de R$ 5,00. Para completar o arsenal, porta-charutos em couro, custando de R$ 40,00 a R$ 80,00, dão a liberdade de carregá-los para onde o charuteiro for.
E nem só de exemplares a R$ 30,00 a unidade vive o universo dos charutos. Os preços começam em R$ 1,00, acredite. Alguns cubanos também podem ser encontrados a partir de R$ 4,00. As novidades são as versões dos charutos de cereja, baunilha e banana da República Dominicana.

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