Sem namorado? Vá navegar...
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quinta-feira, 08 de junho de 2006
Lúcia Camargo Nunes<br> Agência Estado 
Estar disponível em pleno Dia dos Namorados, no próximo dia 12, pode não ser a pior coisa do mundo. Afinal, achar a cara-metade não é tarefa fácil. E talvez a parte mais difícil de conseguir alguém seja simplesmente... conhecer. Na faculdade, no trabalho, na academia, na balada ou o amigo do amigo, não importa.
Nessa área, a tecnologia pode dar uma mãozinha e ajudar a encontrar com sucesso alguém especial. O seu próximo amor pode estar à sua procura em um site de relacionamento.
''Tenho que admitir que há uns anos eu acharia ridículo entrar num site de paquera. Mas tenho achado mulheres fascinantes. E a chance de encontrar uma garota dessas num bar, cinema ou teatro, e falar o que se fala pelo virtual, é quase nula.'' A declaração de G., de 43 anos, é para deixar qualquer descrente desse tipo de encontro um pouco mais otimista.
Ele está namorando há poucos meses uma garota que conheceu num site de relacionamento. ''Namorei duas garotas que conheci em chats (salas virtuais de bate-papo). Há uns três anos me inscrevi no MSN Match e no Par Perfeito. Hoje estou realmente apaixonado'', afirma.
''Imagine como se você estivesse olhando para uma grande vitrine, cheia de pessoas'', divaga Julio César Moré, de 48 anos, sobre os atuais sites que ajudam a encontrar parceiros. Ele namora há sete anos Maria Regina Chioato, de 47 anos, que conheceu pela internet numa época em que esse tipo de comunicação apenas engatinhava no Brasil. E olha que não havia opção de fotos.
Hoje existem pelo menos seis grandes sites de relacionamento no País. Um dos maiores opera pelo portal MSN e conta com 15 milhões de usuários ativos no mundo. ''No Brasil, atualmente, temos 500 mil usuários ativos e 4 milhões de registros'', afirma Sergio Falcon, gerente de Negócios do Match.
Cada site possui seus diferenciais, mas em comum todos têm a mesma proposta: ajudar a encontrar alguém. É preciso preencher um perfil, com diversas informações. As empresas prometem total sigilo e segurança na navegação, mas os usuários precisam ter bom senso. Por exemplo, ao publicar a renda mensal ou outros dados pessoais nos cadastros.
Preenchido o cadastro, e de preferência com imagem ''os perfis com foto têm 70% mais possibilidades de serem contatados do que os sem foto'', segundo Falcon resta fazer as buscas que, dependendo do site, podem ser bem filtradas. Em geral os sites são gratuitos, mas oferecem assinaturas pagas que dão direito a regalias, como conversar online ou poder saber quem visitou seu perfil.
A violência das grandes cidades, trânsito, dificuldade de reunir amigos, excesso de trabalho e outros fatores podem afastar as pessoas de locais favoráveis a encontrar parceiros. ''A balada virou lugar para ''ficar'', às vezes até com mais de uma pessoa. É superficial. Pela internet você vai conhecer um pouco melhor a pessoa'', afirma Rodrigo Schmidt, de 30 anos, noivo de Fernanda De Sordi, de 28. Eles se conheceram pelo site Teprocurando há nove meses e vão se casar em novembro.
Encontrar a paquera pessoalmente é fundamental. Mas o tempo vai depender de cada um. Rodrigo e Fernanda levaram cerca de dez dias. ''Rolou química'', diz ele, que estava inscrito em seis sites e já havia conhecido mais de 30 garotas, sem sucesso. Já Maria Regina e Julio trocaram e-mails e telefonemas por mais de oito meses até o primeiro encontro.
E muito antes desse grande acontecimento é preciso se preparar. Cercar-se de cuidados, saber com quem se fala e, principalmente, evitar frustrações. ''Quem mexe com internet deposita muitas fantasias. É preciso ter desconfiança de que vai dar certo, não criar grandes expectativas naquele encontro'', recomenda o psicólogo Erick Itakura.
Até quem simplesmente navega no Orkut pode se dar bem. Vanessa Kopersztych, de 32 anos, reviu um namorado de adolescência depois de 15 anos pela rede. Após alguns recados se reencontraram e voltaram a namorar. Ela e Felipe Ming, de 35 anos, estão juntos há quase dois anos.


