Com uma casa em Curitiba e um consultório também em Londrina, a terapeuta Sônia Lunardol Vaz costuma acordar numa cidade e dormir em outra. Mesmo em camas diferentes, ela sonha, como todo mundo. Mas, ao contrário da maioria, Sônia consegue interpretar e, melhor ainda, se beneficiar dos seus sonhos.
Com anos de estudo e outros tantos de prática, que somam mais de duas décadas, a terapeuta também virou expert em lidar com os sonhos alheios. ''Todas as imagens que nos vêm são forças que não estamos usando'', diz. ''Tudo o que você sonha faz parte de você'', completa.
Para Sônia, o sonho ''é como o seu organismo se comunica com você. O consciente é criador'', define. A resistência em acreditar nessa comunicação é que, segundo a terapeuta, ''nós aprendemos desde cedo a não ter raiva ou inveja'', relata. ''Ao invés de fugir disso, é melhor enfrentar'', avisa. As consequências dessa fuga acabam se transformando em doenças atuais, como a Síndrome do Pânico, como sugere a terapeuta. ''As pessoas estão enfraquecidas, sofrem. Mas têm que saber que existe muita força nelas'', diz.
Há alguns anos, Sônia tem ido além das consultas e ministrado cursos rápidos para interessados em desvendar os mistérios dos sonhos. Na verdade, segundo a terapeuta, é bem mais simples do que se imagina. Durante quatro dias, os alunos - os grupos não ultrapassam seis pessoas - aprendem a interprertar os próprios sonhos. ''A linguagem é simples e eles rapidinho pegam o jeito'', garante. ''Muitos alunos vêm por curiosidade'', explica.
São duas horas de aulas por dia em que as pessoas aprendem a olhar para os sonhos ''e perceber como é gostoso porque traz os aspectos instintuais'', conta a terapeuta, que costuma fazer encontros mensais com os alunos. Tanto em Londrina quanto em Curitiba.
Além dos sonhos, Sônia Vaz também fala dos contos de fadas em seus cursos. ''Todos os sete anões são forças da psiquê'', afirma. ''Não é que o autor tenha pensado nisso quando escreveu, mas dá para usar isso hoje de uma maneira legal'', diz. De acordo com a terapeuta, cada um dos anões da Branca de Neve tem em si uma estratégia de força. Tanto no lado positivo quanto no negativo. É o caso do Dunga que tem o boa inocência e a má ingenuidade.
''O sonho não pode ser apenas um depósito de recalques. É preciso aprender com esse conteúdo. A vida é incontrolável, mas fugir para não viver a realidade não é a solução. Quem foge do risco e do novo, tem medo de ver. Quem não enfrenta os problemas não sabe qual a força que tem'', alerta Sônia.

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