Sem limites
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sexta-feira, 08 de novembro de 2002
Rosângela Vale<br> Reportagem Local 
Nem modelagens, nem comprimentos. Nas últimas temporadas, as maiores inovações aquelas que causam surpresa e, à primeira vista, são incógnitas até mesmo para os experts em moda são os tecidos. Com a evolução da indústria têxtil, hoje é quase impossível saber a designação correta de todos os materiais que aparecem nos grandes desfiles. Algumas tecelagens chegam a desenvolver cerca de 100 novos produtos a cada estação. A julgar que existem pelo menos 10 grandes empresas trabalhando a todo vapor para atender as necessidades do mercado nacional e os sonhos dos estilistas , tem-se uma idéia da fertilidade da área.
Visual, toque, função. Os novos desenvolvimentos têxteis têm qualidades impensáveis há pouco mais de uma década, quando a microfibra ponto de partida para as inovações ainda não havia desembarcado em território tupiniquim. De acordo com o gerente de marketing da Amni/Rhodia, José da Conceição Padeiro, a indústria têxtil pode ser dividida em antes e depois do surgimento da microfibra. ''Ela respira junto com o corpo, faz a troca térmica entre a pele e o meio ambiente'', explica.
Inteligentes Segundo ele, a microfibra também marcou o início da onda de tecidos inteligentes que hoje têm como expoente o fio bacteriostático (desenvolvimento da Rhodia no Brasil), que limita a proliferação das bactérias e, consequentemente, do odor. ''Trata-se de um material presente dentro do DNA do fio e não superficialmente'', detalha Padeiro. Já disponível em lingeries, meias e artigos esportivos de grifes como Scala, Liz, Track & Field e Zorba, a tecnologia chega ao consumidor identificada pela etiqueta Amni Biotech. Outra novidade é o fio Amni UV Protection, que transforma o tecido em um escudo contra os raios UVA e UVB. ''Numa malha básica, equivale ao fator de proteção 130'', observa Padeiro.
Se os olhos já não conseguem distinguir os tecidos, o tato é um artifício ainda menos eficiente nesses novos tempos. Prova disso é a malha de camurça, lançamento da Doutex já na coleção de Ronaldo Fraga. Com a elasticidade da malha e o toque da camurça, o tecido tem mil e uma utilidades. Além de aplicação na moda, pode ser utilizado em decoração e na linha calçadista. As fibras e o processo de produção são altamente tecnológicos. ''Trata-se de uma supermicrofibra, com mais de mil filamentos, que dá o aspecto camurçado'', explica a gerente de produtos da empresa, Meire Bertoni, informando que o similar importado não possui a elasticidade do nacional.
Efeitos Em termos visuais, os novos tecidos são um show à parte. Um bom exemplo é o fio Amni flutuante, que no jacquard desenvolvido pela Marles dá o efeito ultra-sofisticado de mechas soltas, numa espécie de tela transparente. Na verdade, os fios ficam presos entre camadas de malha dublada e podem, ainda, criar desenhos variados. Além da pesquisa e da parceria com os estilistas, os responsáveis pelas possibilidades quase infinitas de criação de tecidos são os novos maquinários que vêm chegando aos parques têxteis brasileiros.
Com eles, pode-se, por exemplo, fabricar tecidos dupla face como o matelassê da Marles, que de um lado têm a maciez da viscose e do outro a sofisticação da malha de crepe. E inventar acabamentos que conferem aparências variadas, como brocados, couro, vinil e plástico, e também efeitos de pregas, plissados e amassados, graças às tensões diferenciadas aplicadas ao longo da superfície do tecido quando submetido a altas temperaturas.
No quesito acabamento, uma das novidades da temporada é a aplicação de teflon, recurso que além de permitir a criação de estampas diferenciadas quando a peça é molhada, facilita a limpeza da roupa, pois forma uma barreira molecular entre as fibras, evitando a absorção de líquidos, óleo e sujeira. A inovação pode ser conferida na última coleção da M. Officer.
Tamanho progresso têxtil brasileiro é consequência da abertura do mercado, iniciada na era Collor. Obrigado a competir com as empresas estrangeiras, a área teve que reagir. E não parou mais de crescer. Para se ter uma idéia do poder de fogo do setor, basta saber que os principais eventos de moda realizados hoje no País são patrocinados pela Associação Brasileira da Indústria Têxtil (ABIT) que pretende, até 2007, elevar as exportações dos atuais US$ 1,3 bilhão para US$ 4 bilhões. n


