Sem limites
Arquivo FolhaO filme Loucos de Amor, estrelado pelo casal Sean Penn e Robin Wright Penn, mostra como a paixão pode ser destruidoraSem limites
O amor obsessivo pode trazer consequências desastrosas para o relacionamento, causando o fim da união
Ademir Fernandes
Agência Estado
A televisão e o cinema exploram o amor obsessivo à exaustão - vejam as telenovelas e filmes como Atração Fatal, com Glenn Close e Michael Douglas, e Loucos de Amor, com Sean Penn e Robin Wright Penn. Mas, longe de ser uma ficção, o amor obsessivo está em todas as partes, afeta milhares de pessoas, desde o ex-namorado que não aceita passivamente um fora até o marido ou a esposa que vão às últimas consequências para evitar uma separação. Há 20 anos, o amor obsessivo é a matéria-prima da terapeuta Susan Forward, responsável pela formação do primeiro centro de terapia para casos de abuso sexual. Os resultados de sua experiência foram publicados no livro Amores Obsessivos (Editora Rocco), que ela escreveu junto com o produtor de filmes Craig Buck.
No livro, a autora - especialista em terapia intensiva de grupo e em treinamento de profissionais de saúde mental - conta histórias verdadeiras de seus pacientes (citados com nomes fictícios, para preservar suas identidades) e de ouvintes que escreveram para o programa de rádio que ela apresentou durante cinco anos na rede americana ABC.
Quando Craig e eu começamos a escrever, fiquei surpresa com a quantidade de amigos, colegas, clientes e até mesmo conhecidos casuais que me pediram que usasse suas histórias. Embora isso tenha acontecido com todos os livros que escrevi, nunca ocorreu com tal frequência ou paixão. O amor obsessivo toca a todos nós, diz a autora.
Rejeição Mas, embora afirme que o amor obsessivo toca a todos nós, ela esclarece que não quer rotular qualquer relacionamento intenso e romântico de obsessivo: Eu mesma sou uma pessoa extremamente romântica. Sou presa fácil de um jantar à luz de velas, uma bela ópera ou uma noite dançante. No primeiro florescer da paixão, eu, como quase todo mundo, atravesso um estágio que se parece muito com o amor obsessivo. É possível ficar muito preocupada com um namorado novo sem se deixar ser impelida pela obsessão.
Mas, diz ainda a autora, os amantes obsessivos nunca saem desse estágio de preocupação: Seu mundo vai ficando cada vez mais restrito ao negligenciarem a família, os amigos e as atividades que eram anteriormente importantes para dirigir toda a sua atenção ao amante. Se o amante não continuar a retribuir seus sentimentos, o golpe é insuportável. A rejeição é o principal pesadelo do obsessor.
Que o diga Glória, uma das pacientes da doutora Susan, citada no livro. Ela mal sabia o que a esperava quando deu o fora em seu namorado Jim. Sem aceitar o rompimento, ele passou a telefonar para ela, a mandar flores, a esperá-la na saída do trabalho. A vida da moça transformou-se num inferno. Glória sabia que Jim precisava dela, e se sentia culpada por não ser capaz de retribuir, mas ela não podia, lembra a psicanalista. E ela foi dolorosamente clara ao lhe dizer isto. Ela odiava vê-lo sofrer, eles já haviam sido tão íntimos, já haviam compartilhado as esperanças de um futuro comum. Mas, pouco a pouco, o amor de Jim foi se contaminando tanto com o ciúme, que ela se sentia sufocada. O que surgiu como paixão começou a se parecer mais uma prisão.
Prisão É exatamente essa a palavra-chave do livro: prisão. Quando a paixão o faz prisioneiro foi o subtítulo escolhido pelos autores para reforçar a idéia do amor obsessivo. Mas Susan Forward e Craig Buck não se limitam a falar apenas da prisão em si. Apontam, também, os caminhos para a libertação. Quando comecei a trabalhar com Jim e a descobrir respostas para as suas perguntas, percebi que essas mesmas perguntas deveriam estar perturbando as mentes de milhões de outros problemáticos e sofridos amantes obsessivos, explica Susan.
Ela termina o livro de maneira feliz, falando de casos de ex-obsessivos, e avisa: Renunciar à obsessão não significa renunciar à paixão. Significa renunciar ao sofrimento, ansiedade, caos, humilhação, ciúmes e à possessividade. Uma vez tendo removido estes obstáculos a um relacionamento saudável, você se libertará para descobrir a profunda alegria da genuína intimidade - a única base para um amor verdadeiramente satisfatório.





