Sem idade para navegar
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quinta-feira, 28 de março de 2002
Celso Mattos 
Internet é coisa para jovens. Quase uma década depois do surgimento da rede mundial de computadores, essa afirmação perdeu totalmente o sentido. A prova está na dissertação de mestrado da analista de informática Hiliéte Domingues Garcia, do Núcleo de Processamento de Dados (NPD), da Universidade Estadual de Londrina.
Sua pesquisa Terceira Idade e a Internet Uma Questão para o Novo Milênio, apresentada na Unesp de Marília, é a primeira ou uma das primeiras a abordar a influência da Rede na vida dos idosos. Para concluir sua dissertação, Hiliéte estudou dois grupos: o da Unati (Universidade da Terceira Idade), da UEL, que entre suas atividades não usa a Internet e o do Senac, que usa.
O trabalho mostrou que os idosos têm interesse em aprender a usar a Internet principalmente para se comunicar com familiares distantes. Eles se sentem muito distantes dos netos que falam e usam a linguagem da Rede, sustenta a pesquisadora. Segundo Hiliéte, a Internet é um dos caminhos para integrar o idoso à sociedade. Ela interage as pessoas, afirma.
Com isso, ela contribui para diminuir a depressão e a solidão de pessoas que já estão sozinhas. Além de conversar diariamente com os parentes que estão longe, idosos podem navegar por sites de cidades, maturidade e saúde. acrescenta. A Rede é uma boa companheira para quem vive sozinho ou não.
Considerando que o uso da Internet está se expandindo entre os idosos, Hiliéte diz que a mentalidade dos construtores de site também precisa mudar. Sites específicos para essa faixa etária devem ter um tratamento visual diferenciado. Não devem ser muito coloridos, com excesso de banners e cores vibrantes. Como o idosos têm problemas de visão, o tamanho das letras deve ser maior e as entrelinhas mais espaçadas para facilitar a leitura, enfim, um site clean, pouco poluído, ensina.
Porém, essa maravilha chamada Internet também tem seus aspectos negativos: Os idosos precisam ser alertados sobre rackers, vírus, na demora em acessar uma página muito carregada e não ficar muito tempo diante da tela para não ter cansaço nos olhos e dor de cabeça. E, principalmente, sobre a Lesão do Esforço Repetitivo (LER), alerta Hiliéte. Ela ressalta ainda que a Internet não é nenhum bicho-de-sete-cabeças e que todos os idosos conseguem aprender a navegar, alguns até com bastante facilidade.
Número de idosos é cada vez maior
Para justificar sua pesquisa, Hiliéte Domingues usa números: em 1990 existiam 781 milhões de pessoas com mais de 60 anos no mundo, em 2050 serão mais de 2 bilhões e, em 2025, no Brasil, de cada cinco pessoas, uma terá mais de 60 anos. Em 2001, em Londrina, segundo a Secretaria Muncipal de Saúde, havia 31 mil idosos, em 2055 serão 80 mil. Portanto, é um número muito grande para ficar à margem das novas tecnologias. Os idosos precisam ser integralizados a tudo o que existe de moderno para que eles possam ser cada fez mais independentes, defende Hiliéte. Segundo ela, os sites mais visitados pelas pessoas da Terceira Idade são: jornais, revistas e páginas sobre saúde e turismo. (C.M)
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Dorico da Silva
Leange Severo: a Internet facilita a vida
Esqueço da vida quando estou navegando
A professora universitária Leange Severo, 54 anos, é taxativa: Fico sem geladeira, mas não sem Internet. Ela conta que usa a Rede para trocar e-mails com amigos e familiares. Minha filha caçula ficou três meses em Londres e mais seis meses no Peru. Nesse período, eu conversava diariamente com ela por e-mail, o que me deixava mais tranquila, afirma.
Tenho um filho que mora em Curitiba, e ele manda foto do meu netinho via e-mail para mim. Não tem coisa melhor, exagera. Além disso, faço serviço de banco pela Internet, o que facilita minha vida. Ela confessa que não fez nenhum curso, Aprendi sozinha, de curiosa. No começo quase ficava louca, mas agora estou craque, garante. Eu esqueço da vida quando estou navegando, por isso, não vivo mais sem a Internet, assegura Leange Severo. (C.M


