Qual a última grande ocasião da moda, o evento que provoca mais dúvidas na escolha da roupa certa? O casamento, é claro, que agita noivas, noivos, madrinhas e convidados, todos em busca do visual perfeito. Para a celebração, muitos vão atrás da roupa sob medida – sem contar a noiva. É a hora em que a mulherada aproveita para caprichar no penteado, cria coragem para investir alto no cabeleireiro, gasta uma nota com o vestido, a jóia, a bolsa, o sapato. Para os homens, é a chance ᖠrara – de sair de casa mais produzido, com fraque, meio-fraque ou mesmo um terno caprichado. No entanto, pesquisas recentes atestam que o casamento formal está em queda. O povo agora prefere juntar os chinelos a assinar papéis.
Por outro lado, qualquer pesquisa informal com jovens da geração Sandy revela garotas ansiosas por casar de véu, grinalda, buquê e todo o cerimonial a que têm direito. Quando a opção é esta, o casamento se transforma em fonte inesgotável de dúvidas na hora de resolver o figurino. A noiva passa por tormentos que vão desde a definição do horário e o local da cerimônia até dilemas sobre o que fazer com o buquê. É chique jogar o ramalhete de flores para as amigas solteiras? Ainda que não pareça a atitude mais elegante, é uma tradição e pode ser respeitada por aquelas que assim desejarem.
‘‘Nos países nórdicos, a noiva desfaz o buquê e distribui as flores, delicamente envoltas em pedaços de tule que corta do próprio véu, entre as amigas’’. Esta é apenas uma das dicas que o estilista das noivas Ronaldo Esper dá em seu best-seller ‘‘Casando com Ronaldo Esper’’ (veja box), um verdadeiro manual de sobrevivência para quem não quer dar mancadas na hora de subir ao altar. Convidados, madrinhas e parentes dos pombinhos também encontram dicas preciosas na publicação.
Filão inesgotável O sucesso do livro foi tanto que Esper já está preparando um novo título: ‘‘Mil Perguntas sobre o Casamento’’, cujo lançamento está previsto para outubro. ‘‘É curioso ver como muitos estilistas têm preconceito com roupa de noiva, que é o modelo mais caro das maisons’’, comenta o especialista. Para Esper, o vestido de noiva vai ser o último a sobreviver na alta-costura. Entre os modelos feitos sob medida só ele restará, já que não existem nem festas nem madames suficientes para absorver a demanda de vestidos de luxo.
‘‘Não acredito que isso ocorra, já que ainda existem clientes dispostas a comprar vestidos de noite de alta-costura’’, diz Marie Rucki, diretora do Estúdio Berçot, de Paris, uma das principais escolas de estilismo do mundo.
Para ela, todas as maisons fazem vestidos de noiva nem tanto pela criação, mas sim por que existem noivas que desejam ter vestidos das maisons. ‘‘É um dia especial’’, avalia. Como os modelos alcançam preços estratosféricos, todas as casas de moda não querem ficar fora do filão. ‘‘É tradição da alta-costura encerrar os desfiles de moda com uma noiva.’’
Um casamento classe A foi o tema escolhido por John Galliano para a coleção da Christian Dior de alta-costura apresentada neste ano em Paris. Os críticos de moda não conseguiram decidir se Galliano é um gênio ou um louco depois do espetáculo apresentado por ele para a Maison Dior. O estilista inglês ofereceu a sua platéia uma mistura de figuras grotescas e elegantes, em que o fetichismo sexual era inspiração recorrente. O show trouxe personagens como a noiva de drapeados e cauda de tule, um padre ortodoxo, um bispo, vários uniformes de guardas, convidados de várias origens, animais, pastorinhas de renda. No encerramento, Galliano agradeceu aos aplausos, vestido de noivo clássico, de fraque e cartola.

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