SAÚDE Sem exageros Arquivo Folha‘‘A bebida alcoólica tem um efeito anestésico, não deixando a pessoa perceber que está abusando da garganta’’, informa a fonoaudióloga Sophia Dias XavierArquivo FolhaA recomendação é não entrar em competição com a banda, querendo falar mais alto para ser ouvido Celso Mattos Gritar, ou falar muito alto durante os bailes de Carnaval, pode trazer sérios problemas para as cordas vocais. A dica é cair na folia, mas sem abusar da voz É tempo de samba no pé, de muita festa e alegria. É tempo de cantar e gritar. Mas, é preciso cuidado na hora de colocar para fora tantas emoções. Quem vai brincar o Carnaval durante os quatro dias, não precisa abusar das cordas vocais, caso contrário, isso pode trazer sérios problemas para a voz. O principal deles é a rouquidão que, segundo especialistas, pode ter consequências graves. A fonoaudióloga Sophia Dias Xavier diz que ninguém precisa deixar de se divertir com medo do fantasma da rouquidão na Quarta-Feira de Cinzas, basta não abusar do grito. ‘‘As pessoas devem evitar entrar em competição com a banda que está tocando, querendo falar mais alto para serem ouvidas. Durante o baile, é bom fazer alguns pequenos intervalos, ficando sem falar, cantar e, principalmente, gritar para dar descanso às cordas vocais’’, recomenda. Ela destaca que um dos grandes problemas é que a pessoa só vai perceber que abusou da voz no dia seguinte. ‘‘É que a bebida alcoólica, geralmente consumida durante os bailes, tem um efeito anestésico nas pregas vocais, impedindo que o indivíduo sinta dor na hora’’. A fonoaudióloga acrescenta que para piorar ainda mais o problema, a fumaça dos cigarros, a poeira e o ar-condicionado do ambiente são grandes inimigos da voz. ‘‘Podem causar um ressecamento na mucosa das cordas vocais, favorecendo o surgimento de nódulos’’. ‘‘Um grito estridente com tensão laríngea exagerada pode até causar um pólipo hemorrágico, que terá que ser tratado cirurgicamente’’, alerta Sophia Dias. Segundo ela, Carnaval não precisa ser sinônimo de rouquidão. Para evitar o problema, a especialista recomenda hidratar bem a laringe durante o dia. ‘‘É preciso beber muita água, mas em pouca quantidade, ou seja, várias vezes ao dia. Outra dica, é comer frutas cítricas porque elas aumentam a produção de saliva, que é um lubrificante natural das cordas vocais. E, principalmente, comer maçã, pois o sumo desta fruta é bom para as pregas vocais. A hidratação e a lubrificação funcionam como amortecedores do abuso vocal’’, explica. Exercícios A fonoaudióloga orienta também que ao chegar em casa, após a folia, a pessoa deve tomar um banho morno e, depois, em frente ao espelho, fazer alguns exercícios leves. ‘‘Mexa a cabeça, fazendo o movimento do ‘sim’ e do ‘não’, bem devagar. Em seguida, mexa os ombros para frente e para trás e, por último, gire o pescoço para um lado e para o outro’’. Sophia Dias recomenda também recuperar o sono perdido. ‘‘Uma noite maldormida é inimiga da voz’’. Durante o dia, a pessoa deve poupar as cordas vocais, falando pouco e baixo. Ela ressalta que é importante prestar atenção nas condições da voz. ‘‘Ardência, dor na região da garganta, secura e fadiga vocal são sinais de que algo não está bem. Nesses casos, é preciso procurar um especialista’’. A fonoaudióloga acrescenta que rouquidão superior a quatro dias e sem motivo aparente, como um resfriado, por exemplo, deve ser investigada. ‘‘A rouquidão é como a febre. É um alerta de que alguma coisa está errada na garganta’’. Como todos os anos os clubes realizam os bailes de Carnaval para crianças, Sophia Dias recomenda que as mães tenham com os filhos os mesmos cuidados. ‘‘Todas as orientações dadas para os adultos também servem para as crianças’’, enfatiza a fonoaudióloga.

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