Angela Raizer Barbosa
Não resta dúvida de que a evolução da espécie e os avanços tecnológicos trouxeram inúmeras vantagens ao homem. Hoje vivemos num mundo cercado de facilidades graças às descobertas que revolucionaram a vida e o comportamento da humanidade. Mesmo assim existe um consenso na área médica de que as comodidades oferecidas ao homem também trouxeram desvantagens, como o sedentarismo causado pelo cotidiano automatizado.
Outra constatação científica está diretamente relacionada à boca. Foram necessários séculos, é claro, para que mudanças significativas ocorressem nessa área, mas a verdade é que hoje já não nascem todos os dentes, ou só nascem parcialmente. Os casos mais comuns ocorrem com os dentes do ciso e com os caninos. Tanto um quanto outro podem permanecer retidos, ficando dentro do osso da arcada dentária. Quando nascem parcialmente, ocupando inclusive posições horizontais, são chamados de dentes impactados.
Dentes do ciso O cirurgião-dentista Ricardo Fujimoto explica que a principal causa que retém os dentes é a falta de espaço. ‘‘Geralmente, as maiores ‘‘vítimas’’ dessa falta de espaço são os dentes do ciso, conhecidos também como dentes de juízo, pois são os últimos a nascer, normalmente entre os 13 e 18 anos’’. Segundo ele, há várias causas para que isso aconteça, mas as principais são relacionadas à própria evolução do homem e à miscigenação de raças.
Numa definição mais simplista, Fujimoto diz que esses dentes não nascem porque deixaram de ser usados na mastigação ao longo da evolução humana. ‘‘A partir do momento em que o homem começou a comer alimentos industrializados e a contar com a ajuda de eletrodomésticos para preparar a comida, tanto os dentes do ciso quanto os caninos, feitos para suportar uma mastigação mais forte, tornaram-se dispensáveis, fazendo com que a arcada diminuísse. Em relação à mistura de raças, tão evidente no Brasil, o dentista observa que os asiáticos, normalmente, têm a boca pequena e os dentes grandes, dificultando o surgimento dos 32 dentes que formam a arcada completa.
Com exceção dos dentes impactados, que causam dor, os dentes retidos não provocam nenhum sintoma. ‘‘Este é um grande problema porque o paciente só vai descobrir quando o processo estiver bastante adiantado’’, diz Fujimori. Entre as consequências de um dente retido está a reabsorção óssea, levando à perda de material ósseo. ‘‘O dente retido também pode formar um cisto e causar a reabsorção da raiz dos dentes vizinhos, provocando a perda dos mesmos’’, alerta ele. No entanto, apesar das contra-indicações de se manter um dente retido, depois dos 35 anos ele só é extraído se estiver causando problemas.
Extração prematura Todos esses problemas podem ser evitados com a extração prematura dos dentes do ciso, ou seja, antes de eles nascerem, se houver indicação. ‘‘Uma simples radiografia revela posição, tamanho, forma e raízes do dente do ciso já a partir dos 13 anos. Caso não haja espaço na arcada para ele se posicionar, é extraído numa cirurgia bem mais simples e com menos riscos do que seria se esse dente já tivesse nascido.
Já o canino retido não precisa ser extraído. ‘‘Até os 13 anos, é possível posicioná-lo na arcada dentária através da correção ortodôntica; depois dos 18 anos é feito um tracionamento: o dente é puxado para fora com um aparelho, fazendo com que ele se encaixe na sua posição natural’’, explica Fujimori. Com todos os meios que estão hoje à disposição para se obter uma dentição perfeita, Ricardo Fujimori diz que basta um acompanhamento odontológico adequado para evitar a má oclusão e outros problemas dentários que afetam as pessoas na idade adulta.Apesar de afetar a maioria da população, os dentes retidos são poucos conhecidos
Foto: Mário Cesar‘‘O dente retido também pode formar um cisto, causando a reabsorção da raiz dos dentes vizinhos, provocando a perda dos mesmos’’, diz o cirurgião-dentista Ricardo FujimotoReproduçãoO acompanhamento odontológico adequado evita a má oclusão e outros problemas dentários que afetam as pessoas na idade adulta

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