O glaucoma é a principal causa de cegueira no mundo, afetando homens, mulheres e crianças. Estatísticas de um dos grandes centros americanos de estudo da doença, o Glaucoma Research Foundation (GRF), revelam que 67 milhões de pessoas no mundo são portadoras dessa enfermidade. Somente no Brasil são cerca de 500 mil, segundo levantamento do Departamento de Oftalmologia da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp/EPM). Desse total, aproximadamente 100 mil casos podem evoluir para a cegueira irreversível. Existem diversos tipos de glaucoma, porém, o mais comum – que ocorre em 80% dos casos – é o primário crônico.
‘‘O maior fator de risco da doença é o aumento da pressão interna do olho, que lesa o nervo óptico localizado atrás do globo ocular’’, explica o médico oftalmologista Rui Barroso Schimiti. Segundo ele, o aumento da pressão no olho causa a morte progressiva das células que formam o nervo óptico. ‘‘Miopia, diabetes, trauma ocular, doenças intra-oculares e história familiar (parentes de portadores de glaucoma) são fatores preponderantes para a incidência do glaucoma, que afeta pessoas de todas as idades. No entanto, a doença tem prevalência maior após os 40 anos e em pessoas da raça negra, cuja probabilidade de serem afetadas é quatro vezes maior em relação aos brancos’’, observa o oftalmologista. Quanto aos aos míopes, os que usam lentes acima de seis graus estão sujeitos a um risco maior. Como esses grupos têm maiores possibilidade de serem acometidos pela doença devem submeter-se a exames oftalmológicos com regularidade.
O glaucoma congênito, no qual a criança nasce com ele e geralmente apresenta sintomas característicos, como olhos embaçados, sensibilidade à luz e lacrimejamento excessivo, pode ser tratado com cirurgia que, quando realizada precocemente, apresenta bons resultados.
Cegueira progressiva ‘‘O fato de ser uma uma doença sem sintomas, que leva meses e até anos para se desenvolver, faz com que o diagnóstico muitas vezes seja tardio, quando a visão já foi afetada’’, afirma Schimiti. Ele explica que o paciente não percebe quando a doença se instala porque a perda da visão é progressiva. ‘‘E como essa perda é lenta e periférica – a visão central é mantida – o paciente só nota que não está enxergando direito na fase em que o glaucoma já se apresenta em grau tão avançado que a recuperação não é mais possível, podendo levar à cegueira’’, acrescenta.
Tratamento ‘‘Quando o paciente já apresenta a doença, esta pode ser controlada com tratamento adequado e contínuo, porém, se o nervo óptico já sofreu lesões, não é possível recuperar, nem mesmo por meio de cirurgia ou transplante’’, afirma Schimiti.
O tratamento é iniciado com medicamentos tópicos (colírios), com objetivo de baixar a pressão intra-ocular. Os remédios existentes hoje no mercado agem basicamente de duas formas para diminuir a pressão ocular: alguns reduzem o volume de produção do humor aquoso, líquido que circula dentro do olho – motivo do aumento da pressão –, outros aumentam o seu escoamento. Em alguns casos, porém, os medicamentos não são eficientes e é preciso partir para a intervenção cirúrgica, na qual se cria um novo canal para drenagem do líquido.
O oftalmologista Rui Schimiti, que é médico assistente do setor de glaucoma da Universidade de Campinas-Unicamp, onde defenderá tese de doutorado neste ano, atende pessoas carentes pelo Sistema Único de Saúde (SUS) no Hospital de Olhos de Londrina. O ambulatório específico de glaucoma, que funciona no Hoftalon (Rua Souza Naves, 648, fone 330-6000), aos sábados pela manhã, oferece o serviço para todos os estágios da doença, do diagnóstico à cirurgia.

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