Há pouco tempo, para ganhar a sensação de liberdade que só uma casa proporciona, sem perder a segurança dos prédios residenciais, só havia uma opção: os condomínios horizontais. Hoje, alguns atrativos desfrutados pelos moradores desses locais privilegiados pela natureza e pela engenharia já estão acessíveis dentro da cidade. Quem imaginaria poder aproveitar a tranquilidade de um bosque ou se deliciar com as frutas do pomar no térreo de um edifício?
Pois agora esses benefícios fazem parte das prioridades das grandes construtoras, que em tempos de violência crescente nos centros urbanos, resolveram fazer das áreas de lazer itens de destaque na planta de seus imóveis. Tudo devidamente amparado por pesquisas de comportamento do consumidor, que indicaram a necessidade de qualidade de vida, falta de tempo para sair e, é claro, urgência por garantir a segurança da família. O fenômeno cocooning, tendência moderna de se ''encasular'' no recanto do lar, também é uma das justificativas para diversificar cada vez mais o leque de opções na área comum dos edifícios.
Em São Paulo, alguns empreendimentos já oferecem tenda de massagem, cyber café, sala vip, cozinha do gourmet, minicampo de golfe, hotel para animais de estimação e até creche. Em Londrina, as opções não chegam a tanto, mas alguns empreendimentos já estão voltados à essa tendência. A maior parte deles se localiza na Gleba Palhano (região sul, próxima ao lago Igapó e ao Shopping Catuaí), a atual ''menina dos olhos'' do mercado imobiliário local e fruto da partilha do fértil solo agrícola de uma das famílias colonizadoras da cidade.
Nicho de mercado Um dos primeiros edifícios projetados a partir do conceito de lazer ampliado foi o Condomínio Residencial Bosque Wilmar Berbet, cuja área total do terreno soma 8.500 metros quadrados. O espaço térreo conta com piscina de biribol para crianças e adultos, sala de ginástica, sauna, sala de brinquedo, três churrasqueiras, quadra de tênis, quadra poliesportiva e um bosque. ''Fizemos uma pesquisa e constatamos que era um grande nicho de mercado. Tanto que vendemos todas as unidades em apenas um mês'', conta o arquiteto José Luis Gastaldi, um dos proprietários da construtora Dresden, responsável pelo projeto.
O médico Pedro Humberto Perin Leite e a professora Audemira Prevital Leite são uma das 68 famílias condôminas do edifício. Com três filhos pequenos, eles comemoram a tranquilidade, a segurança e a liberdade do local. ''As crianças descem todos os dias para brincar e, quando está chovendo, têm a opção de irem para a sala de brinquedo'', conta a mãe, que antes sofria com a falta de espaço no edifício em que morava, no centro da cidade. ''Tínhamos que passear na rua com nosso filho mais velho'', lembra.
O casal de advogados Sílvia Helena Neves de Sales, 28 anos, e José Valdemar Jaschke, 29 anos, também compraram o imóvel pensando no filho João Pedro, de 2 anos e 7 meses. A escolha foi o Le Corbusier, da Plaenge. Com playground, sala de brinquedos, minisala de ginástica, bicicletário e minicampo de futebol, o edifício também foi o eleito por causa da divisão interna e da localização. ''É uma região de fácil acesso e crescente valorização'', define José Valdemar.
A família já passou pela experiência de morar em condomínio horizontal e não aprovou. ''Além de gerar mais despesas, exige muitos cuidados'', justifica Sílvia. Por ter piscina e até pomar na casa, o casal acabava nem desfrutando da área de lazer do local, o que deverá ser diferente no novo lar. ''Quem vai aproveitar mais é o João Pedro. É ele quem vai acabar puxando a gente para o térreo'', prevê o pai.
Socialização Uma casa em um condomínio horizontal seria o ideal para a médica ginecologista e obstetra Sandra Cabrera, mas o dia-a-dia profissional agitado dela e do marido, o geriatra Marcos Cabrera, tornam a opção inviável. ''Somos sempre chamados em hospitais para atender pacientes fora do horário. Precisamos morar próximos ao centro'', observa. A solução para conciliar as necessidades foi o Residencial Gaudi, da Plaenge, com entrega prevista para novembro de 2003. ''Depois da urbanização da região da Gleba Palhano, a localização ficou ótima. A sensação é de não estar no miolo da cidade, com a vantagem de acesso rápido ao centro'', argumenta.
Um dos principais atrativos do Gaudi, construído numa área de pouco mais de 5 mil metros quadrados, será o fitness center, com duas piscinas ao ar livre e outra coberta e aquecida, sauna com local de repouso, hidromassagem e academia de ginástica, benefício que Sandra considera essencial. ''Vamos ter a oportunidade de nos exercitar enquanto nossos filhos brincam próximos a nós. Se fôssemos para a academia no final do dia, nem veríamos as crianças'', justifica.
A oportunidade de socialização das crianças é outro item valorizado pelo casal de médicos. ''A impressão é de que a integração é bem maior em um condomínio vertical. Morando em casa, a gente tem que provocar isso'', argumenta a médica. Opções para melhorar a vida social dos pimpolhos e dos adultos não vão faltar no Gaudi. O local vai contar com brinquedoteca, dois gazebos e pomar, que ao lado de duas jabuticabeiras nativas, terá pés de amora e de pitanga. Tudo para garantir o lazer em qualquer época do ano. Esse conceito aparece também na sacada do edifício, de 20 metros quadrados. Aliás, nesses novos tempos, o termo ''sacada'' foi substituído pela designação ''varanda'' para reforçar a idéia de espaço ampliado. ''A intenção é aumentar a sensação de liberdade, dar um quintal ao apartamento'', define o gerente de engenharia da Plaenge, Sério Sorgi.
Essa guinada no conceito de viver em apartamento antes ligado à confinamento vem seduzindo até mesmo quem sempre morou em casa, como a assessora administrativa Gleide Storti Ferrarezi, 53 anos, que se prepara para se mudar com o marido, no próximo ano, para o SunFlowers Residence, da A.Yoshii. Com a filha vivendo em São Paulo e o filho casado, a casa ficou grande para os dois. ''No apartamento, não vou ter que me preocupar com a área externa; terei mais tempo para estudar já que estou partindo para o mestrado'', argumenta.
Com gazebo, quiosque, salas de jogos e ginástica, quadra poliesportiva, playground, praça de convivência e uma área verde de 3 mil metros quadrados, o imóvel vai atender todas as expectativas de Gleide, que já planeja os constantes passeios com o netinho de 11 meses. ''Como nunca moramos em apartamento, escolhemos um lugar que nos proporcionasse muito contato com o verde. Assim, vou poder curtir o meu neto com segurança''. n

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