Os cubanos se tornaram mestres em seduzir o paladar feminino com charutos de aroma suave, degustação leve e tamanho exato. Isso, sem ferir a imagem delas. O preferido pelas mulheres que cultivam esse hobby tem o sugestivo nome de Romeu e Julieta. Constatação feita por Claudinei Benossi, proprietário de uma tabacaria em Londrina.
Kraw Penas‘‘O charuto não é baratinho porque é feito à mão em aproximadamente 250 etapas’’, explica Alceu Vezozzo
Tradição, cultura, artesanato, e uma ciência só existente em Cuba, fizeram com que vários tipos de charutos fossem criados para atender aos paladares exigentes e refinados, incluindo o das mulheres. A relação entre mulheres e charutos envolve também a fabricação. Nas centenárias fábricas de Havana, a mão-de-obra é basicamente feminina.
Em função do ritual existente para a degustação de um único charuto, fumá-lo acaba se tornando uma terapia anti-stress, além da indescritível sensação de prazer. Pode-se levar até duas horas para fumar um charuto até o fim. Nesse tempo, a vida pode passar como um filme na imaginação da fumante.
‘‘Fico pensando na vida, fazendo o resumo do dia’’, comenta a empresária Vera Giatti, enquanto curte um Romeu e Julieta. Para ela, essa é hora para relaxar, de descanso. Enfim, sair do ritmo agitado de um estafante dia de trabalho, para um ritmo mais light. ‘‘Esse é um momento meu’’, justifica. Na rotineira corrida do dia-a-dia, homens e mulheres descartam um tempinho para si mesmos. E para degustar um bom cubano, é preciso disposição para sentar e pensar na vida.
Vera Giatti reserva um horário noturno para esse hobby e fuma apenas uma vez ao dia. A paixão pelo charuto, ela iniciou há três anos, e a partir daí aprendeu a arte, os segredos e o ritual de como se deixar seduzir pela fumaça, aroma e paladar desse raro prazer. Mas o grande deleite para Vera é aproveitar esse momento para repassar os acontecimentos do dia. Apenas um charuto deixa a empresária saciada. Não existe a compulsão, como acontece com o cigarro. Muitos comparam esse hábito ao de beber socialmente.
‘‘As mulheres sentem mais vergonha de fumar charuto, principalmente em público. Eu também não gosto de fumar em público e nem de fumar junto com outras mulheres’’, diz, ao se referir aos clubes de charuteiras, comuns nas grandes cidades. Segundo Vera, nesses clubes muitas mulheres acabam adotando uma postura masculina, até mesmo para agredir e chocar, procedimento que ela desaprova completamente. Apesar de haver muitas mulheres seduzidas pelos charutos da ilha de Fidel, há um certo desconforto em assumir. Poucas admitem que gostam de fumar charutos cubanos, mesmo que não percam a ternura jamais.

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