O peso em excesso adquirido por mulheres após os 18 anos é um forte sinal de que ela poderá sofrer de câncer de mama. Este é o resultado de uma pesquisa realizada pela Sociedade Americana do Câncer e apresentada nos últimos dias de fevereiro, nos Estados Unidos.
  O estudo – o maior já feito relacionando as duas variáveis, peso e câncer – conclui que as mulheres que engordam entre 9 e 13 quilos depois dos 18 anos sofrem 40% mais riscos de terem a doença em relação àquelas que permaneceram no mesmo nível da balança.
  Se o ganho de peso for maior que 30 quilos, o risco dobra. De acordo com o ginecologista londrinense José d’Oliveira Couto Filho, o tecido gorduroso retém uma quantidade maior dos hormônios produzidos pelos ovários, principalmente o estrógeno. Esses hormônios são metabolizados no fígado e eliminados. É um ciclo. Mas, em pessoas obesas, o processo é prejudicado. ‘‘Como os hormônios são solúveis em gordura, é como se eles se ‘‘escondessem’’ no tecido gorduroso. A mulher obesa fica com excesso de hormônios no organismo’’, explica Couto, observando que a obesidade está ainda mais associada ao câncer de endométrio.
  Os casos de câncer de mama, informa o ginecologista, têm aumentado muito mais do que o esperado nos últimos tempos em decorrência de vários hábitos de vida, como poucos filhos, gestações tardias e dietas inadequadas que acabam levando ao ganho excessivo de peso. O médico alerta que os riscos são maiores para as que, além de obesas, têm casos da doença na família. Como não existe prevenção, exames periódicos são indispensáveis. Até os 35 anos, eles devem ser feitos anualmente, na consulta ginecológica. Depois dessa idade, são indicados exames de mamografia.
Infertilidade A obesidade é um dos maiores males trazidos pelas contingências da vida moderna. Estima-se que o problema – já considerado uma epidemia global – atinja 15% da população mundial: cerca de 1 bilhão de pessoas. O endocrinologista Rubens Martins Júnior, de Londrina, ressalta que o excesso de tecido gorduroso é decorrente de uma série de fatores. O alimentar é o maior deles, aliado à hereditariedade, à pouca atividade física e também a uma questão comportamental. ‘‘Com a correria da vida moderna e os níveis de stress cada vez mais altos, a compulsão alimentar é uma conseqüência. Há uma maior ingesta de alimentos nocivos ao organismo’’, explica.
  De acordo com ele, a alimentação inadequada está relacionada não somente ao câncer de mama e de endométrio, mas também ao de intestino. ‘‘Os pacientes que fazem uma dieta com maior ingestão de fibras têm menor incidência da doença’’, afirma. ‘‘Outro aspecto importante é que a célula gordurosa é um sítio de transformação hormonal. Observa-se no obeso um nível elevado de androgênio (hormônio de características masculinas). Essa alteração hormonal tem implicações na ovulação e também na questão da fertilidade.
  A obesidade pode levar à infertilidade porque altera os níveis de insulina liberados pelo pâncreas na mulher, o que desencadeia uma superprodução de hormônios masculinos pelos ovários e, por sua vez, à interrupção da liberação de óvulos. ‘‘Os quilos extras normalmente abalam a saúde cardiovascular, o equilíbrio hormonal e a estrutura anatômica e podem causar também um distúrbio de transmissão de sinais hormonais, afetando seriamente a fertilidade’’, ressalta Paulo Serafini, ginecologista e diretor do Huntington Centro de Medicina Reprodutiva.
  De acordo com ele, muitas pacientes enfrentam dificuldades para engravidar por causa de problemas relacionados à obesidade, diabetes e ovários policísticos. Mudança de estilo de vida é a melhor prevenção: reeducação alimentar (ingestão de mais fibras e menos gordura) e atividade física permanente são questões que devem ser levadas a sério. (Colaborou Rosângela Vale) n

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