Saúde emocional
PUBLICAÇÃO
sexta-feira, 18 de dezembro de 1998
Rosângela Vale 
Para o desespero dos pais, nem sempre as doenças manifestadas pelos filhos são curadas através de medicamentos. Muitas vezes, os exames laboratoriais nada revelam e ainda assim, os sintomas do problema persistem. As causas podem ser muito mais óbvias do que se imagina. Talvez estejam dentro de casa e tenham sido originadas no próprio ambiente familiar. Desavenças conjugais, pais emocionalmente instáveis e ausência de relações afetuosas na família são situações de risco para as crianças.
Ao adoecer, a criança está pedindo socorro. É uma forma de sinalizar aos pais que as coisas não estão bem, adverte a psicóloga Eliane Belloni, docente do Cesulon e membro da diretoria da Associação Regional de Medicina Psicossomática de Londrina. Segundo ela, a relação entre emocionalidade e distúrbios orgânicos é intrínseca, pois é impossível separar a parte física da psicológica. Emoções são fenômenos físicos porque se manifestam em nível orgânico, ou seja, são sentidas fisicamente. E cada alteração orgânica, por sua vez, tem o seu componente emocional, explica.
Foto: Paulo WolfgangAo adoecer, a criança está pedindo socorro. É uma forma de sinalizar aos pais que as coisas não estão bem, diz a psicóloga Eliane BelloniA maioria dos casos de distúrbios psicossomáticos atendidos por Eliane é de obesidade infantil. São crianças que se saciariam com menos alimentos, mas comem em excesso por causa de alguns processos psicológicos. Entendemos isso como um desajuste emocional manifestado no comportamento alimentar. É como se ela quisesse se afundar na comida, que é a única coisa gostosa na vida dela. Com a terapia, vamos descobrir o quê e porquê está ruim, diz.
Eliane alerta para um erro grave e muito comum dos pais: confundir amar com fornecer. Geralmente, eles pensam: amo o meu filho, então, dou a ele tudo o que ele precisa. Muitas vezes, a criança precisa de muito pouco. O excesso é desnecessário e prejudicial, observa, dando o exemplo da mãe que vai ao supermercado e compra quilos de chocolate porque o filho gosta. Mas ele também gosta de outras coisas, como brincar e conversar com os pais. Como não tem nada disso, chega à conclusão de que comer é só o que está disponível para ele, analisa.


