De patologia rara e típica em crianças, a doença celíaca passou a ser considerada pela comunidade médica como um mal bem mais comum do que pode parecer. Segundo o médico gastroenterologista Alberto Toshio Oba, ela pode atingir indivíduos de qualquer idade e não somente as crianças. Além disso, cerca de 50% dos pacientes não apresentam os sintomas clássicos como diarreia crônica e desnutrição. ‘‘Algumas pessoas apresentam anemia, imunidade baixa, sinusite de repetição, entre outros sintomas, e não imaginam que podem ser portadores da doença celíaca’’, avisa o médico.
  A intolerância ao glúten se manifesta em pessoas com predisposição genética. Por isso, o médico recomenda que parentes de pessoas portadoras da doença celíaca busquem descobrir se também sofrem do mesmo mal. ‘‘É importante fazer essa triagem porque a doença celíaca pode estar relacionada a outras patologias como tireoidite, artrite reumatóide, diabetes do tipo 1, linfomas e problemas neurológicos’’. ressalta.
  Na realização da triagem, o primeiro passo é verificar se a pessoa apresenta diarreia crônica e perda de peso. Em seguida, se a imunidade é baixa e se há problemas neurológicos. Na etapa seguinte serão verificadas informações como o aparecimento de doenças autoimunes ou aquelas associadas, como a dermatite herpetiforme. O quarto passo é saber se o paciente tem casos de celíacos na família. ‘‘Com essas indicações, podem ser realizados os exames sorológicos, que tem especificidade e sensibilidade de 90%. O diagnóstico definitivo é feito por meio de endoscopia e biópsia do duodeno’’, explica Oba.
  Apesar de não ser fácil manter uma dieta livre de glúten, as inflamações só poderão melhorar se o paciente tomar consciência e seguir a restrição à risca. ‘‘Seguindo a dieta, as inflamações diminuem e os sintomas também’’, informa o especialista. (E.S.)

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