Saúde - Termômetros do corpo
Termômetros do corpo
Lilian Santos
Agência Estado
ReproduçãoAs unhas recebem estímulos hormonais, nervosos e imunológicos e demonstram quando o corpo é acometido por algumas doençasPara quem nunca deu tanta importância às unhas, um alerta: várias doenças do corpo podem ser precocemente detectadas através de um cuidadoso exame clínico. Pensando no assunto, o médico dermatologista Valcinir Bedin criou tabelas para melhor explicar o que é possível descobrir pela observação das unhas. A idéia das tabelas veio em uma das aulas ministradas na Faculdade de Medicina de Jundiaí, interior de São Paulo, conta.
Bedin explica que as pessoas costumam dar pouco valor às unhas. Elas pensam que se trata de uma estrutura morta, um anexo da epiderme que serve apenas para proteger os dedos contra traumas, ressalta. As unhas, como os cabelos, também fazem parte do campo da dermatologia, pois são anexos da pele que apresentam estruturas vivas. Segundo o médico, a unha é composta por células vivas da raiz até o fim da polpa digital. Elas recebem estímulos hormonais, nervosos e imunológicos, formando uma rede de correlações com o corpo humano. Somente além da extremidade dos dedos é que as células são mortas.
Infecções Além disso, através de alterações nas unhas, pode-se prevenir ou descobrir doenças internas, detectar se há problemas na alimentação ou drogas em excesso no organismo. Mais do que a própria pele, as unhas são termômetros do que está ocorrendo no organismo humano; assim, demonstram quando o corpo é acometido por doenças como infecções, problemas de baixa defesa imunológica, disfunções hormonais diversas ou até mesmo alterações nutricionais, explica Bedin. Nesses casos, a unha pode interromper seu crescimento ou apresentar alterações de estrutura, acrescenta.
O especialista destaca ainda que os médicos deveriam dar mais atenção à aparência das unhas dos pacientes, o que normalmente não acontece. O ideal seria que todos os médicos examinassem as unhas, inde
pendentemente do problema de o paciente ser ou não nessa parte do corpo. De acordo
com o especialista, até doenças que não apresentam sintomas podem ser diagnosticadas por esse tipo de exame, diz Bedin.
Fungos e bactérias As unhas devem ficar compridas o suficiente para proteger as pontas dos dedos. Por isso, elas não devem ser aparadas muito curtas para não perder tal função, prevenindo a entrada de fungos e bactérias, o que pode resultar na onicomicose. As unhas dos pés geralmente acabam encravadas por esse motivo. Os instrumentos para a limpeza das unhas devem ser próprios e não de terceiros. Caso contrário, precisam ser esterelizados com equipamento profissional (não adianta utilizar álcool).
O hábito de roer unhas pode provocar consequências graves para o organismo. As pessoas, frequentemente, engolem pedaços de unhas; como esse material não é dissolvido pelo estômago, acaba se acumulando no apêndice, podendo causar sua perfuração, explica Bedin. Tomar banho com chinelos é outra medida inteligente, pois evita o contágio através de fungos que ficam no chão após o banho de alguém contaminado. Enxugar os pés e as unhas, se possível com secador, evita o surgimento de fungos e micoses, uma vez que estes necessitam de umidade e calor para se proliferarem.
Serviço:
Valcinir Bedin - Diretor da Sociedade Brasileira de Medicina e vice-presidente da Sociedade Brasileira de Laser Medicina e Cirurgia
Telefone: (011) 65-5626.





