Saúde - Reaprendendo a viver
Reaprendendo a viver
Os portadores de diabete precisam conviver com uma dieta rigorosa e reeducar a vida para evitar complicações
Celso Mattos
Dorico da SilvaMesmo os produtos específicos para diabéticos precisam ser consumidos de forma controlada, diz a endocrinologista Henriqueta GalvaninO diabete se caracteriza por uma série de patologias assemelhadas que têm em comum a falta de ação da insulina. Estatísticas apontam que no Brasil existem, em média, sete milhões de diabéticos, sendo que muitos ignoram que são portadores, pois a doença demora em torno de sete anos para apresentar os sintomas.
Para evitar uma surpresa desagradável, a Associação Americana de Diabete recomenda que as pessoas que não apresentam fatores de riscos devem fazer exames a cada três anos após os 40 anos de idade. Já aquelas que pertencem ao grupo de risco devem tomar essa providência o mais cedo possível. Se enquadram nesse grupo pessoas obesas, hipertensas, que tem parente de 1º grau com diabete, mulheres que tiveram filhos com peso superior a quatro quilos e aquelas que possuem altas taxas de gordura no sangue.
Segundo a médica endocrinologista e professora do curso de Medicina da UEL, Henriqueta Galvanin Guido de Almeida, os principais sintomas da doença são sede excessiva, perda de peso, fraqueza, fome e constantes idas ao banheiro para urinar. Existem dois tipos de diabete: o tipo I, mais comum em jovens, na qual a produção de insulina pelo pâncreas é praticamente nula; e o tipo II, na qual a ação e/ou quantidade da insulina produzida são insuficientes, explica a médica.
Disciplina No Brasil, 10% dos casos são do tipo I, exigindo que o paciente use insulina para viver, e 90% são do tipo II, na qual os portadores podem controlar a doença mantendo o peso normal, fazendo dieta alimentar e tomando remédios. No entanto, a endocrinologista Henriqueta Galvanin informa que 25% dos pacientes portadores de diabete tipo II acabam, com o tempo, precisando repor insulina.
As pessoas que sofrem de diabete tipo I precisam obedecer a uma disciplina rigorosa. A aplicação de insulina deve ser feita, no mínimo, duas vezes por dia. Dependendo da gravidade do caso, existem pacientes que precisam fazer a auto-aplicação de três a quatro vezes ao dia. Além dessas picadas, a pessoa precisa estar sempre furando o dedo para fazer o auto-exame que mede o nível de glicemia. Esse exame também pode ser feito através da urina, mas não é tão preciso, relata a médica.
Outro cuidado importante é com a alimentação. A dieta deve ser individual, obedecendo gosto, peso, idade, altura e até a cultura do paciente. Atualmente, existem vários produtos exclusivos para diabéticos, mas isso não significa que eles possam ser consumidos à vontade. Tudo precisa ser dosado de acordo com os níveis de glicemia. O mesmo critério deve ser usado para orientar os exercícios físicos. Caminhar e nadar são os mais indicados. Deve-se evitar esportes de impacto, orienta Henriqueta Galvanin.
Progressos A endocrinologista ressalta que o diabete é uma doença crônica, por isso exige, além dos cuidados necessários, uma reeducação de vida não só do paciente, mas de toda a família que deve colaborar com o portador da patologia. Mas a médica tem boas notícias para os diabéticos. Existem hospitais em São Paulo que já estão fazendo transplantes do pâncreas inteiro ou só das ilhas produtoras de insulina. Estão sendo feitos também transplantes duplos de pâncreas e rim, informa Henriqueta Galvanin.
Outra novidade é o pâncreas artificial que é colocado dentro do abdome, embaixo da pele. O órgão funciona como minicomputador que ao ser programado libera a dosagem correta de insulina que o paciente necessita. Isso livra a pessoa das constantes e incômodas picadas. Essas descobertas são progressos que vão melhorar a vida de milhões de diabéticos, afirma a médica.
Para fazer uma prevenção mais rigorosa da doença, a Associação Americana de Diabete está propondo diminuir a taxa de glicemia que caracteriza a pessoa como diabética. Atualmente, é de 140 mg por decilitro, em jejum, e a entidade está sugerindo reduzir para 126 mg. Com isso, a pessoa começaria o tratamento mais cedo e correria menos riscos de a patologia se agravar, diz a endocrinologista.
O Hospital de Clínicas da Universidade Estadual de Londrina conta com uma equipe multiprofissional, formada por médico, enfermeiro, psicólogo, nutricionista e assistente social, que presta atendimento gratuito às sextas-feiras a grupos de diabéticos que incluem crianças e adultos. No momento, as vagas estão todas preenchidas, mas os interessados podem entrar em contato com o HC para reservar vagas. Henriqueta Galvanin Guido de Almeida, é organizadora e autora de alguns capítulos de um livro recém-lançado Diabete Mellitus: Uma Abordagem Simplificada para Profissionais da Saúde, editado pela Ateneu, de São Paulo.





