Saúde - Brigando com a balança
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quinta-feira, 04 de setembro de 1997
Francelino França 
ReproduçãoNa verdade, nem todos os pais ajudam na reeducação alimentar, considera a nutricionista Andréa RabeloA obesidade é considerada a patologia mais antiga da humanidade. Entretanto, ela continua cada vez mais presente em nossos dias e com um aumento significativo no número de casos. As estatísticas norte-americanas apontam que 25% das crianças daquele país são obesas. Pode-se considerar que 80% de pais obesos possuem filhos na mesma situação.
Por ser um assunto tão combatido, a maior denuncia se refere à falta de suporte científico e ético das fórmulas para emagrecer, nos métodos revolucionários e que não combatem a causa que levou o indivíduo àquela situação. Encontrar um especialista de confiança é o primeiro passo para reverter esse quadro.
Esse crescimento no número de pessoas obesas se deve a mudanças nos hábitos de vida. A médica Sandra Marcantonio, endocrinologista pediátrica, enumera algumas causas que levam a esse aumento da obesidade e que, em muitos casos, se inicia na infância.
O sedentarismo é o primeiro fator citado por ela. Os pais que trabalham fora, acabam condicionando os filhos a ficar muito tempo em frente à televisão e ao computador. Os hábitos alimentares errados, com crianças trocando refeições por lanches, salgadinhos e ingerindo alimentos calóricos e gordurosos; o desmame precoce, seguido de introdução alimentar inadequada para a idade, também figuram entre os fatores que podem levar à obesidade. E outro fator preponderante: come-se muito e gasta-se pouca energia.
De acordo com Sandra Marcantonio, a criança pode se tornar obesa quando nasce prematura e entra num processo de superalimentação. Há ainda aquelas que nasceram naturalmente gordinhas. É na idade escolar que começam os apelidos. E o gordinho acaba sendo marginalizado, sofre rejeição. No esporte, ele percebe que não consegue render como os outros, porque não possui fôlego, constata a especialista.
Para iniciar um tratamento de reeducação alimentar, é preciso começar abolindo os excessos, modificar os horários das refeições e introduzir alimentos menos calóricos
Um tratamento contra a obesidade obtém resultados satisfatórios quando as crianças são motivadas. A endocrinologista ressalta que é preciso propor mudanças sutis na alimentação. O fator ansiedade também deve ser levado em consideração. Por muitos motivos, na família ou na escola o ambiente não é favorável e a única coisa que dá prazer à criança é comer. Daí a necessidade de suprir a ansiedade, comendo o dia todo.
A insegurança em relação ao próprio corpo leva a criança a comer. Inicia-se um ciclo vicioso, quando ela começa um regine e não consegue levar a contento. No momento em que ela rompe com a dieta e acaba ficando deprimida, ela come por causa da depressão. É importante o apoio dos pais para que o pequeno obeso saiba lidar com que está sentindo.


