Saúde - Alimento essencial
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quinta-feira, 20 de março de 1997
Celso Mattos 
ReproduçãoApesar de o leite ser fundamental para o crescimento e desenvolvimento das crianças, algumas apresentam intolerância ao produtoO leite é um alimento fundamental para o crescimento e desenvolvimento da criança, principalmente no primeiro ano de vida. No entanto, existem determinadas crianças que apresentam rejeição a esse alimento. O médico pediatra Issao Yassuda Udihara, ressalta que o leite ideal para todos os bebês é o materno. Porque é específico para a criança e varia de acordo com o crescimento. Quando o bebê, por exemplo, está com três meses, o leite materno está no ponto adequado para essa idade.
Além disso, a amamentação é importante para a relação afetiva entre mãe e filho. Porém, algumas vezes, o leite materno é insuficiente ou inexistente. Neste caso, é preciso lançar mão de outros leites - de vaca, de soja ou de fórmulas lácteas. Segundo o pediatra, nessas situações cerca de 1% a 3% das crianças que se encontram no 1º ano de vida podem desenvolver algumas formas de intolerância.
As principais reações ao leite são enzimáticas, tóxicas e alérgicas. A enzimática é uma intolerância à lactose, um carboidrato contido no leite. Geralmente, é uma rejeição transitória que provoca diarréia, vômitos e cólicas, informa o médico. Já a tóxica ocorre devido às substâncias e aditivos encontradas nesse alimento.
Josoé de CarvalhoAs principais reações são enzimáticas, tóxicas e alérgicas, diz o pediatra Issao Udihara
Alergias De acordo com o pediatra Issao Udihara, é preciso levar em consideração que o leite de vaca tem proteínas próprias para o bezerro e que não são reconhecidas pelo organismo de determinadas crianças. Isso pode levar o bebê a apresentar algumas reações alérgicas. Elas podem se manifestar através de cólicas intestinais, eczemas (alergias de pele), renites e bronquites repetitivas, desnutrição, desidratação e, em casos mais graves, choque anafilático.
Nesse casos, a conduta médica é fazer um teste de suspensão do leite de vaca, substituindo-o por outro tipo como, por exemplo, o de soja. Se os sintomas desaparecerem ficará constatado o diagnóstico. O pediatra ressalta que essas intolerâncias ocorrem, normalmente, após a primeira semana de uso do leite de vaca.
No entanto, essas reações negativas ao produto podem não ser permanentes. A partir do final do 1º ano de vida até o fim do 2º ano, a maioria das crianças que apresentou intolerância ao leite de vaca, deixa de manifestar essas reações e pode voltar a usar o alimento sem qualquer problema. Apenas uma pequena porcentagem continua tendo alergia ao leite. Nesse caso, é necessário fazer testes específicos com o objetivo de detectar o tipo de alergia, para que seja administrada uma dieta apropriada. q
Fiscalização rigorosaPara oferecer ao consumidor um produto de qualidade, a fiscalização dos leites A e B, produzidos em Londrina e região, é feita semanalmente pela Regional do Ministério da Agricultura. Temos um técnico que visita as propriedades e, além disso, são feitas análises periódicas do leite em laboratório, informa Francisco Marques, chefe da Regional.
Segundo o médico veterinário Joanes Concer, do Setor de Inspeção de Leite e Derivados do Ministério, o leite tipo A é produzido, pasteurizado e empacotado na própria granja leiteira. Já os tipos B e C são enviados pelos produtores às cooperativas e latícinios, onde são pasteurizados e empacotados mediante fiscalização permanente. No processo de pasteurização, o leite é submetido a uma temperatura que varia de 72 a 75 graus centígrados durante 15 a 20 segundos. Desta forma, toda flora microbiana patogênica do leite é destruída, sem prejuízo de seus elementos bioquímicos e de suas propriedades nutritivas, diz o veterinário.
Para os leites A e B, a ordenha do rebanho precisa ser mecânica, já para o tipo C ela pode ser mecânica ou manual.Mas deve obedecer às exigências de higiene, que são rigorosas, informa Joanes Concer. Devido a esse controle de qualidade, ele diz que o leite pasteurizado dentro dos padrões exigidos não precisa ser fervido antes de ser consumido.
Segundo o médico veterinário, as diferenças entre os leites A, B e C vão muito além da quantidade de gordura. Neste caso, leva-se em consideração o local de produção, o controle sanitário do rebanho e as perdas físico-químicas e microbiológicas antes e depois da pasteurização, entre outras.
Antes da pasteurização, o leite A pode ter até 10 mil bactérias por ml, e depois desse processo, até 500; o B pode conter até 500 mil antes e até 40 mil depois. Já para o C é exigido que tenha até 150 mil bactérias por ml depois da pasteurização.
Já o leite UHT integral ou desnatado, embalado em caixinhas e mais conhecido como longa vida, possui matéria-prima equivalente ao leite C. Porém, é um C especial e superior ao de saquinho. Além de ser esterilizado, o controle laboratorial é muito rigoroso, garante Concer. No sistema UHT, o leite é submetido a uma temperatura de 130 a 150 graus centígrados por 2 a 4 segundos, mediante um processo térmico, contínuo e imediatamente refrigerado a uma temperatura não inferior a 32 graus centígrados. Depois, é envasado sob condições assépticas, em embalagens que não sofrem exposição de ar e luz.
O veterinário explica que algumas marcas de leite longa vida possuem o citrato de sódio, um tipo de estabilizante. Mas a quantidade está dentro dos padrões estabelecidos pelo serviço de inspeção e não chega a comprometer a qualidade do leite e nem prejudicar à saúde, diz Joanes.


