Sala de espera
PUBLICAÇÃO
quinta-feira, 24 de setembro de 1998
Francelino França 
Tomar pílula anticoncepcional engorda? Posso tomar pílula somente antes de transar? Por que eu não cresci o suficiente? Por que minha menstruação não vem no tempo certo? Por que tenho cólicas? Transar uma vez só não engravida? Se eu for ao médico, como ele vai me examinar se sou virgem? Vou sentir dor no exame? Por que de vez em quando minha calcinha fica manchada?...
Milhões de dúvidas e indagações rondam a cabeças das adolescentes. E não é tão simples aprender sozinha a proteger e cuidar do corpo e da mente que a cada dia se transformam. Antes que entrem em parafuso, por que não marcar uma consulta com o ginecologista? Se a mãe da garota nunca tocou no assunto fica complicado. Mas não é o fim do mundo falar sobre isso.
Na maioria das vezes, o diálogo mãe e filha é restrito em virtude dos tabus que a própria mãe carrega, constata a ginecologista Rúbia Akemi Yamasita. Mas se a garota ouvir uma resposta negativa da mãe, por que ir por conta própria ao ginecologista?
No consultório, Rúbia avalia a situação. Quando a garota faz questão da presença da mãe, ou não sabe precisar os sintomas daquilo que está sentindo, a médica recomenda que a mãe esteja presente à consulta. Caso contrário, a garota se sente mais à vontade para conversar sozinha com a especialista. A idade em que elas fazem essa primeira consulta varia bastante. Pode ser dos 11 aos 20 anos.
A ginecologista Rúbia Yamasita esclarece que o fato de se consultar com um especialista não implica em atividade sexual. A irregularidade menstrual e as cólicas são motivos que ocasionam a ida das meninas ao ginecologista, esclarece. Muitas meninas se sentem ansiosas em relação ao exame físico. Isso deve ser respeitado, afirma.
A primeira consulta pode ter efeito negativo se a garota ir contrariada ao especialista. A necessidade do exame é que faz diminuir o medo. Quando a ansiedade com a consulta for muito grande, e a ginecologista verifica que isso pode prejudicar a garota, ela pede para voltar outro dia, quando se sentir mais tranquila.
A maior parte ainda chega ao consultório desinformada. Informações relacionadas à higienização correta e cuidados com o corpo são sempre bem recebidas. Rúbia costuma orientar as garotas quanto ao uso de lingerie de algodão, que é mais
saudável, da mesma forma que devem evitar calças de brim muito apertadas, pois mantêm a área interna da vagina aquecida, acarretando problemas à saúde.
Em relação à contracepção, nós selecionamos a pílula conforme os problemas que a garota possa ter (acne, gastrite ou problemas de mama) e optamos pelas pílulas com baixa dosagem hormonal, informa. Ela prossegue dizendo que a motivação para o uso da pílula ainda é pequena.
Eu costumo dizer às meninas que não tiveram relação sexual que, quando sentirem que está pintando um clima no relacionamento, venham me procurar. Adolescente vive no mundo da fantasia. Sexo consciente é tomar pílula e usar camisinha, adverte Rúbia.
Para as garotas que temem perder a virgindade com um exame ginecológico de rotina, a médica explica que é utilizado instrumental adequado para pacientes virgens. Dentre as dúvidas trazidas pelas garotas, a altura é outro motivo de angústia. As baixinhas querem saber se vão ultrapassar 1,70m. E quando as previsões nesse sentido são pessimistas, elas não aceitam o fato de que não vão crescer muito.
O excesso de peso costuma ser, sem dúvida, outro grande problema. Manter um hábito alimentar saudável, para a adolescente, é uma tremenda incoerência. Ao mesmo tempo que a alimentação é rica em carboidratos, gorduras e frituras, elas querem manter um peso de modelo de passarela.
Um dica bem legal da médica para a primeira visita ao ginecologista é que a garota faça uma listagem dos problemas, ansiedades e informações que desejam obter do médico. Assim, na hora da consulta, tudo pode correr com mais tranquilidade.


