Sacudindo a poeira
PUBLICAÇÃO
quinta-feira, 15 de junho de 2000
Da Redação 
Com a chegada do frio, chega também a hora de tirar e sacudir as roupas do armário. Mas, o que fazer com as peças de camurça e couro que, após um ano de reclusão, estão sem vida, amassadas, com poeira acumulada e, muitas vezes, com manchas adquiridas no inverno passado?
A primeira dica é: nunca lave ou passe esse tipo de roupa em casa. Só para se ter uma idéia, as lavanderias chegam a usar até seis produtos diferentes e específicos para couro e camurça em uma única lavagem. É o que faz a rede brasileira Vip Lavanderia, que oferece dois tipos de tratamento para as peças confeccionadas com estes materiais. Um deles é a lavagem completa, que romove manchas, ácaros e poeira acumulados. O outro é o reavivamento das cores, feito com produto especial para dar vida nova à roupa.
Em Londrina, a lavanderia Bolha de Sabão faz dois tipos de limpeza: a seco e a úmido, o que vai depender do tipo de couro e curtimento. Os sintéticos, geralmente, devem ser lavados a úmido, pois reagem com solvente, danificando o tecido. As peças geralmente trazem a informação na etiqueta sobre o tipo de lavagem recomendada, principalmente as que foram confeccionadas recentemente, pois a lei do consumidor exige isso, diz o proprietário Fábio César da Silva. Os preços ficam em torno de R$ 20,00, dependendo do tamanho da peça.
Quanto ao reavivamento das cores, ele informa que esse trabalho é mais comumente realizado em pequenas regiões desgastadas. Segundo Fábio, se a intenção é melhorar o aspecto geral da peça, o couro escuro é mais fácil de ser recuperado e, portanto, apresenta melhor resultado.
Seja qual for o método de limpeza escolhido, é fundamental saber conservar as roupas de couro durante todo o ano para garantir a boa aparência. É praticamente um animal que se tem em casa. Tem que cuidar, avisa Paulo Humberto, proprietário da Lavanderia Trouxa Louka. De acordo com ele, se não forem devidamente conservadas, as peças podem sofrer ataques de fungos nos armários.
Normalmente identificamos isso como pontinhos brancos, esclarece. Quando a peça está assim, o resultado da lavagem é problema na certa. A pele de cima cai e a cor fica diferente. E os clientes acabam achando que a culpa é da lavanderia, diz Paulo, recomendando escovar as peças para remover o pó e tirá-las todo o mês do guarda-roupa para que possam respirar.
Segundo Fábio, o sol constante e a poeira podem alterar a cor do couro. E o que era uma sujeira normal, fácil de ser removida, pode ser transformar em mancha se a peça for para o armário sem passar por uma limpeza. O ideal é lavá-la todo o final do inverno. A melhor forma de guardar uma roupa de couro é no cabide, de preferência naqueles de ombreiras arredondadas, para não marcar.
Algumas lavanderias não recomendam embalar o couro em capas plásticas, pois em contato com a umidade do local ele pode mofar. Fábio explica que, como Londrina tem um clima mais seco, não há esse risco por aqui. Outra dica importante: em casos de manchas gordurosas, o mais indicado é agir rapidamente para que o couro não absorva a gordura, o que complica a remoção. Fábio recomenda colocar no local farinha ou maisena, que absorvem a oleosidade. Esfregar, nem pensar. O couro pode desgastar, adverte.
Já para quem deseja melhorar o aspecto daquela jaqueta um tanto quanto amassada, a boa notícia é que, dependendo do curtimento do couro, a peça pode ser passada a ferro. Mas Fábio avisa: há uma temperatura ideal para que isso seja feito com sucesso. O que significa jamais tentar em casa.


