Saber na prática Devanir Parra
PUBLICAÇÃO
sexta-feira, 28 de janeiro de 2005
Herika Fondazzi<br> Reportagem Local 
Quem já passou pela escola ou ainda está nela, com certeza guarda lembranças de um professor ou outro. Pelo bem ou pelo mal, eles ficam na memória e marcam nossa vida. Quem nunca teve aquele professor que, de tão carrasco, fez com que a disciplina se tornasse a pior de todas ou, ao contrário, se encantou pelos estudos depois de descobrir o carinho e paciência de um mestre dedicado? Tempos distantes em que a escola era nossa maior atividade do dia e o professor era quem sabia tudo.
Com a grande quantidade de informações e opções que as crianças e jovens de hoje encontram, a escola e, consequentemente, os professores, tiveram que mudar seus métodos para prender a atenção do aluno e tornar o aprendizado algo mais agradável. Segundo a diretora educacional do Colégio Londrinense e especialista em pedagogia Ieda Gomes, a grande mudança é a forma de ensinar. ''A escola de antes era conteudista, primava pelo armazenamento do conhecimento. O aluno tinha que decorar um monte de coisas que ele nem sabia direito o que era. Hoje o aprender é mais útil'', garante.
Ver na prática o que se aprende nos livros, de acordo com Ieda, é a melhor maneira de dar razão ao aprendizado. ''A vivência é fundamental para tornar o aprender mais agradável e fácil. Dessa forma, o aluno participa mais das aulas, investiga os assuntos. A idéia de que o professor é o detentor do saber não existe mais. Agora, ele é a pessoa que apresenta um problema, que gera interesse pelo conteúdo e orienta na descoberta da solução.''
Unir o conhecimento A interdisciplinariedade, segundo a diretora, também é outra descoberta vantajosa da escola. Nela, as disciplinas são trabalhadas de forma conjunta, na tentativa de unir o conhecimento em várias vertentes. Os professores trabalham em conjunto para interligar os assuntos e tornar as aulas mais atraentes. ''Nas aulas de laboratório, quando os alunos observam a fotossíntese, eles aprendem biologia e química também, por causa da liberação dos gases. Em um trabalho de análise da água, por exemplo, é possível ensinar biologia, geografia, química, história'', explica a professora de química e laboratório Liléia Maria Vendrame Burttini.
Para a psicopedagoga Isabel Cristina Hierro Tarolin, as mudanças na escola vieram devido a uma mudança na sociedade. ''Hoje damos mais importância ao saber do que ao ter. De nada adianta ter conhecimento se a pessoa não sabe o que fazer com ele. Para que serve aprender a calcular juros, por exemplo, se o aluno não sabe como eles funcionam? Ou saber ler se não se consegue entender e questionar o que se lê? A escola precisa ensinar o aluno a pensar e gerenciar o conhecimento adquirido'', explica.
Para ela, um dos maiores problemas dos professores é se esquecerem que cada aluno aprende de uma maneira diferente. ''Por isso, ele devem usar métodos diferentes para ensinar. Uma criança aprende melhor ouvindo, outra aprende melhor vendo. O bom professor consegue usar todos os recursos na sua aula'', garante. ''Os alunos mudaram bastante nos últimos anos. Com tanta informação disponível, eles precisam de algo mais na escola, pois trazem muitas indagações para a sala de aula. É preciso deixá-los falar e questionar. A época das respostas prontas acabou'', argumenta Ieda. n


