Glória Coelho, da G, aposta todas as fichas no utilitarismo transformista e faz uma das melhores e mais coerentes coleções da temporada. Afinal, nestes tempos de crise econômica, quem não gostaria de comprar uma roupa que se desdobra em duas, três, quatro peças diferentes? As opções são variadas: saias que viram vestidos, casacos dupla-face, macacão/vestido que se desmembra e vira saia e camiseta, tops e estolas que se transformam em bolsas. Tudo feito num abrir e fechar de zíperes e com um rigor técnico impressionante.
A sensualidade lúdica proposta pela Cia de Linho não emplacou e a grife acabou derrapando, tanto na execução do conceito, como na escolha dos sapatos (de Fernando Pires), que deixaram na platéia a impressão de que as modelos poderiam despencar da passarela a qualquer momento. A receita de feminilidade da grife teve ingredientes em excesso: microssaias, fendas, decotes e calcinhas à vista soaram demasiadamente explícitos.
Ao som de rock e sob a passarela de acrílico vermelho, a Zoomp invocou os anos 80 com jaquetas perfecto, calças de couro e botas cano médio com bico arredondado. O jeans ganha detalhes diferenciados, como paetês na parte detrás ou da frente das calças, barras desfiadas e tons inusitados, como o dourado. Costuras e pences são deslocadas dos eixos habituais e surgem em locais inusitados (como na bainha das saias). A idéia é desconstruir para reconstruir, criando uma nova leitura de peças clássicas. Da estação anterior, permanecem os ótimos macacões tromp-l’oeil (que parecem calça e blusa).
O público jovem também teve boas surpresas com a coleção de Marcelo Sommer, que misturou alta-costura com clubes noturnos e elementos circenses. Como numa grande brincadeira, saias armadas com tules surgiam ao lado de calças com estampa de dálmata, que ganharam tons diversificados, como verde sob fundo vermelho. Ao som de house (com DJ ao vivo), o público se divertia com os coletes e saias de pompom supercolorido, vestidos tipo fanfarra, casacos de pelúcia, motivos xadrezes e florais. Nos pés, tênis Copacabana, sucesso da Rainha nos anos 70, reeditado nas cores da coleção, e as plataformas em tartan e pelúcia. Uma overdose de bom humor, bem ao estilo Sommer de ser.
Reinaldo Lourenço fechou a temporada apresentando um refinamento contemporâneo, com pitadas de anos 60, que pode observado nos blazers cortados no fio e com uma só manga. Vestidos têm efeitos de recortes, sobras de tecido na lateral e texturas rachadas. Os de látex vêm em linha A. Peles de vaca aparecem em saias, blusas e casacos, evidenciando o curtume como uma das tendências do próximo inverno.

mockup