Roupa de trabalho
PUBLICAÇÃO
quinta-feira, 02 de novembro de 2000
Celso Mattos 
Trabalhar em uma empresa que exige uniforme não é mais sinônimo de cafonice todo mundo vestido igual e com modelitos de extremo mau gosto. Cada vez mais preocupadas com a aparência de seus profissionais, as empresas estão investindo em um visual com linguagem contemporânea para adequar os funcionários a sua identidade. Não há nada mais ultrapassado que entrar em um restaurante e ser servido por um garçom vestido de pinguim. Hoje, a regra é buscar um diferencial e apostar na criatividade.
É com essa visão que a consultora de moda Ana Cury vem modificando o conceito tradicional dos uniformes, provocando uma verdadeira revolução ao desenvolvê-los adequando um look fashion à identidade da empresa, do produto e do público. Responsável pela criação dos uniformes de empresas como Avon, Philips, Gradiente, H. Stern, C&A, BMW, entre outras, Ana Cury tem a seu favor 10 anos de experiência como produtora de moda nas revistas Claudia, Capricho e Manequim.
Os uniformes sempre foram associados a mau gosto porque as empresas queriam gastar pouco em sua confecção. Hoje, os empresários estão mais preocupados em vestir seus funcionários de acordo com as tendências, como também investir em uma decoração contemporânea para o ambiente de trabalho. Isso demanda mais custo, mas coloca a empresa dentro de um conceito de modernidade, diz Ana Cury. A consultora acrescenta ainda que investir em um uniforme de bom gosto, é uma forma de a empresa valorizar seu funcionário. Se o profissional não se sentir bem com a roupa que está usando, ele também não vai produzir bem.
Ana Cury ressalta que isso não significa ter que ouvir a opinião de cada funcionário na hora de criar um uniforme. É impraticável porque em um universo de, por exemplo, 100 pessoas você teria, em média, cinco versões para um tubinho preto. Segundo a consultora, o que é preciso levar em consideração é a forma de trabalho do profissional. Eu converso com os funcionários para saber se eles sobem escadas ou não, se tem ar-condicionado no ambiente e se eles saem para a rua ou não. Tudo isso tem que ser avaliado na hora criar um uniforme, afirma Ana Cury.
Toque fashion Ela diz ainda que uniformizar não significa, necessariamente, vestir todo mundo igual. Quando fui convidada para criar o uniforme da Telebras Celular, de São Paulo, bolei um kit que continha um vestido e um blazer com saia e camiseta, nas cores azul e amarelo. Desta forma, o cliente identifica as funcionárias pelas cores e não pelo modelo da roupa, comenta.
Ana Cury garante que é possível criar um uniforme conservador, porém moderno. Isso é muito comum em joalherias, onde a roupa das vendedoras pede um visual discreto para não competir com o produto, mas é possível criar um tailleur cinza com um toque fashion, ensina a consultora. Ela diz que a regra básica na criação do uniforme é adequá-lo à empresa, ao produto e ao público. Caso contrário, não haverá uma identificação do cliente com a loja.
A consultoria de moda para empresas deu tão certo que Ana Cury resolveu ampliar seus serviços criando um novo segmento: a Clínica de Imagem, que orienta profissionais e executivos quanto à imagem adequada a sua posição em uma organização. Outra atividade da Clínica de Imagem são os workshops, realizados dentro das empresas, que orientam os profissionais a aproveitarem as liquidações e pontas de estoques para comprar roupas básicas, sem gastar uma fortuna. Sabendo comprar, é possível se vestir bem sem comprometer o salário, afirma a consultora.
Serviço: Empresas interessados na consultoria de Ana Cury podem entrar em contato pelo telefone (11) 581-3410.


