Foi-se o tempo em que a única responsabilidade das crianças era ir para a escola. Com a concorrência cada vez mais acirrada no mercado de trabalho, os pais começam desde cedo a preparar seus pimpolhos para o futuro. E dá-lhe aulas de idiomas, esportes, música, reforço escolar, informática.
A questão é saber qual o limite de atividades extras que as crianças conseguem assumir e como lidar com as escolhas e desistências que surgem pelo caminho. De acordo com o diretor geral pedagógico do Colégio Universitário, Jose Antonio Lima, o objetivo principal das atividades extras é formar e realizar o sujeito que está crescendo. ''Muitas famílias hoje têm apenas um filho e esse tipo de atividade ajuda na socialização, na resolução de problemas. A atividade física também é importante para evitar o sedentarismo'', diz.
O resultado disso pode ser visto no comportamento e no rendimento escolar, que geralmente é melhor entre os pequenos que têm outras responsabilidades além das aulas padrão. ''O desenvolvimento físico e cultural de uma criança ajuda muito no seu autoconhecimento. Percebemos que os alunos que participam dos extras são mais organizados, têm as tarefas sempre em dia, respeitam as regras e interagem mais com os outros'', comenta a Irmã Rosa Maria Ruthes, gestora administrativa do Colégio Mãe de Deus.
Mas é preciso cuidado para não exagerar na quantidade de compromissos, o que pode sobrecarregar as crianças e trazer resultados negativos, como a falta de motivação e queda do rendimento escolar. ''Crianças que fazem muita coisa acabam não indo bem em nenhuma'', garante a Irmã Esmeralda Aparecida Silva, coordenadora cultural do Mãe de Deus. ''Acredito que uma atividade esportiva e outra cultural seja o suficiente. Claro que esse número pode variar de criança para criança, mas essa média costuma ser bastante benéfica'', afirma Lima. ''Algo em torno de duas horas por dia de atividades extracurriculares é suficiente'', completa Irmã Rosa.
Na hora de escolher, vale a pena prestar atenção tanto aos desejos quanto às necessidades dos pequenos. ''É importante perceber se a criança tem alguma necessidade especial para determinada atividade. Aqui no colégio ficamos atentos a isso e conversamos com os pais sobre quais modalidades achamos mais interessantes para os filhos. Por exemplo, um aluno que precisa aprender a se concentrar é um candidato às aulas de xadrez'', explica Lima. ''Acreditamos que respeitar a vontade dos alunos é fundamental. Temos várias apresentações culturais e torneios que acabam motivando as crianças. Os amigos também são importantes na hora de definir os gostos'', comenta Irmã Esmeralda.
E quando surge o desejo de desistir de alguma atividade, é importante também respeitar a vontade das crianças, mas sem deixá-las ficar irresponsáveis. ''Crianças precisam de regras. Quando surge a vontade de abandonar uma atividade extra, que precisa ser levada a sério, os pais e professores precisam descobrir qual o motivo por trás disso. Muitas vezes basta trocar de professor. Mas algumas aulas são necessárias e as crianças devem saber entender isso'', aconselha Lima.

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