Rombo no orçamento
Celina Alonso Az
De Maringá
Pensando friamente sobre a volta às aulas, muitos pais que têm filhos em escolas particulares chegam a ficar à beira de um ataque de nervos. Como se não bastassem a taxa de matrícula e o uniforme, ainda têm que comprar uma tonelada de material escolar. Os livros didáticos mudam a cada ano. A lista do material de artes é quilométrica. Em alguns casos, provoca indignação porque muito do que é solicitado - papel higiênico, creme dental, copos descartáveis e sabonete - deveria ser fornecido pela escola. Não é por menos que muita gente, quando se refere a algo muito caro, adota a expressão: ‘‘Custa mais do que um filho no colégio...’’
O ano nem bem começou e muitos pais já sentem um aperto no bolso. A família da empresária Aparecida Mariani foi obrigada a fazer uma rápida manobra para conciliar os estudos das crianças com o orçamento. Aparecida e o marido, que é comerciante, têm três filhos em idade escolar. Quando perceberam que teriam de desembolsar uma enorme quantia para a matrícula, material e uniforme do antigo colégio, fizeram as contas e decidiram mudar os filhos para uma escola mais acessível. Economizaram R$ 500,00 na matrícula, e mais R$ 500,00 na mensalidade porque tiveram descontos por matricularem três filhos. A lista de material que ficaria em torno de R$ 600,00 também assustava. O novo colégio não adota livros didáticos, mas apostilas. ‘‘Preferimos este sistema porque vamos pagar pelas apostilas R$ 160,00 (para cada filho) em 11 meses enquanto teria de pagar R$ 200,00 à vista por livros que no próximo ano já não servirão mais nem para o outro filho’’, conta Aparecida.
Quilos de material A estratégia da família Mariani funcionou de um lado mas complicou de outro. Como as crianças mudaram de colégio, tiveram de comprar uniformes novos. ‘‘Tenho que comprar dois para cada um porque não dá para ficar uma semana usando o mesmo’’, conta a mãe. Compraram ainda uniformes de educação física que é obrigatório e um tênis especial para usar na cancha. Foi uma despesa imensa. ‘‘É demais para uma família que não recebe 14º salário. Eu antes trabalhava por luxo, agora, só para manter as crianças numa boa escola’’, diz Aparecida Mariani.
Outra família que se angustia nessa época é a da secretária Elisa Mendes. Ela tem duas filhas numa pré-escola particular e acha um absurdo o que elas pedem para os pais. ‘‘Já pagamos uma fortuna de mensalidade e eles ainda querem que a gente mande quilos de material. Todo ano pedem papel higiênico, sabonete, pasta de dente, copos descartáveis, toalha de mãos, um monte de papel sulfite e uma infinidade de ítens que nem sempre a gente vê onde são usados’’, reclama Elisa Mendes, que aproveitou as promoções oferecidas pelas livrarias e comprou todo o material para pagar em três vezes.‘‘Parece um pesadelo a gente ter de fazer crediário para comprar material escolar’’, protesta a mãe.

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