A história é conhecida por muita gente que já estudou algum idioma. Você passa anos na sala de aula, mas bastam alguns meses sem rever o conteúdo para esquecer boa parte do que foi estudado. De acordo com a coordenadora do Laboratório de Línguas da Universidade Estadual de Londrina (UEL), Valdirene Zorzo Veloso, só há uma maneira de não esquecer o idioma estudado: fazendo a manutenção dele. "Quanto mais nos aproximamos de um idioma, mais conseguimos desenvolvê-lo. Da mesma maneira, quanto mais nos distanciamos mais o nosso cérebro vai esquecendo", explica.

Conforme Valdirene, todas as pessoas nascem com a capacidade de absorção de qualquer idioma, que vai se desenvolvendo à medida que a pessoa é exposta a ele. "Por esse motivo, a criança que tem pais brasileiros e mora no exterior, por exemplo, pode vir a falar mais de uma língua", explica. "Porém, a criança tem uma capacidade maior de absorver um idioma. Com o passar dos anos essa capacidade vai diminuindo", complementa. Por isso, os adultos precisam estar sempre em contato com a nova língua para não esquecer aquilo que aprenderam.

"A linguagem é um elemento vivo, que está sempre em evolução. A língua vai mudando conforme o passar do tempo, por isso é preciso praticar", recomenda. A dica da professora é usar a tecnologia a favor do conhecimento para não esquecer o idioma, ouvindo ou lendo notícias na outra língua ou mantendo contato com pessoas de outra nacionalidade. "Na década de 1980, por exemplo, era mais complicado manter esse contato com a língua. Hoje você tem uma possibilidade maior de estudo e de contatos com a internet."

Outro conselho é tentar inserir o idioma em relações que tenham algum significado. "Apesar de não haver estudos sobre isso, acredito que se formos pensar na nossa memória afetiva, quando se estabelece um vínculo ou uma relação de interesse com aquilo que está sendo estudado, fica mais fácil de não esquecermos", analisa Valdirene. Descobrir qual a sua maneira de aprender também pode ajudar. "Cada pessoa tem uma estratégia de aprendizagem. As auditivas vão ativar o idioma ouvindo músicas, enquanto as visuais podem ver filmes ou fazer uma leitura", recomenda.

Porém, a professora lembra que essas ferramentas são válidas apenas quando já há um conhecimento formal prévio. "Isso tudo só pode ser aplicado depois que já houver a proficiência da língua", ressalta.

Imagem ilustrativa da imagem Rever para não esquecer
| Foto: Foto: Celso Pacheco
"Quanto mais nos aproximamos de um idioma, mais conseguimos desenvolvê-lo", diz a coordenadora do Laboratório de Línguas da UEL, Valdirene Veloso
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