Retrato filmado
PUBLICAÇÃO
quinta-feira, 10 de maio de 2001
Celso Mattos 
Mãe é sempre mãe, até mesmo na ficção. São vários os filmes que criaram em celulóide figuras de mães que emocionaram o mundo. Quem não se lembra, por exemplo, da mãe polonesa interpretada por Meryl Streep em A Escolha de Sofia, que deu à atriz seu primeiro Oscar. Depois de perder seus dois filhos num campo de concentração nazista, ela tenta reconstruir sua vida na América.
Outra grande mãe do cinema foi interpretada por Sophia Loren em Duas Mulheres, de Vittorio De Sica, em 1961, que também deu à atriz o seu primeiro Oscar. A fita mostra a história de duas mulheres mãe e filha tentando sobreviver numa Itália devastada pela guerra.
Em O Resgate do Soldado Ryan, Steven Spielberg escolheu uma mãe para representar todas aquelas que perderam seus filhos na Guerra. A cena, que dura apenas cinco minutos, mostra uma mulher de costas, recebendo a notícia da morte do filho. A sequência foi uma grande sacada de Spielberg, que optou por não mostrar o rosto da mulher, assim, não sendo identificada pelo telespectador, ela representaria todas as mães daqueles jovens que deram suas vidas na defesa da pátria. É também em nome de uma mãe que um grupo de soldados arrisca sua vida para resgatar o soldado Ryan e devolvê-lo vivo a uma mãe chamada América.
Em Lado a Lado, o diretor Chris Columbus fala do amor incondicional. Susan Sarandon interpreta uma mãe que renuncia a sua carreira de editora para se dedicar aos dois filhos. Mas ao descobrir que está com câncer, tenta aproximar os filhos da atual mulher de seu ex-marido, interpretada por Julia Roberts, para que eles não fiquem sem mãe quando ela partir para sempre. É a mãe colocando o amor pelos filhos acima do orgulho ferido por ter sido trocada por outra pelo marido.
Homenagem O desconhecido Mães em Luta mostra a luta de uma mãe para salvar seu filho do Exército Republicano Irlandês. O filme é baseado em um fato real ocorrido em 1981. No sensível Nas Profundezas do Mar Sem Fim, Michelle Pfeiffer interpreta uma mãe que tem um dos filhos sequestrado. Nove anos depois, ele reaparece e ela precisa reconquistá-lo. O filme revela o desespero de uma mãe ao ter seu filho roubado, suas tentativas de manter a família unida depois da tragédia e a luta para fazer com que o filho a reconheça como mãe quase uma década depois de separação.
Já o diretor Nick Cassavetes faz uma homenagem a sua mãe Gena Rowlands em De Bem com a Vida. Gena interpreta Mildred, uma viúva de meia-idade que começa a sofrer o vazio provocado pela partida dos filhos. Um dia, uma vizinha pede para ela cuidar de seu filho, um garoto de 7 anos, para que ela possa trabalhar. Mildred passa a se dedicar integralmente ao menino e esta convivência a desperta para uma nova vida. De Bem com a Vida além de ser um presente do filho para a mãe, é também uma profunda investigação sobre a solidão que dá origem à Síndrome do Ninho Vazio.
Mãe é Mãe, de Albert Brooks, apresenta os conflitos gerados quando, após se divorciar da mulher, o filho resolve voltar a morar com a mãe. Albert Brooks interpreta o filho quarentão e Debbie Reynolds a mãe. Apesar de ser uma comédia mediana, o filme revela com muita sensibilidade como é difícil voltar para a casa da mamãe depois de uma certa idade, quando cada um já assumiu atitudes e hábitos muito diferentes.
Esses são apenas alguns exemplos, mas não podemos esquecer de Imitação da Vida, Gente como a Gente, O Encantador de Cavalos e Rocco e seus Irmãos. Todos mostram como é intenso e ao mesmo tênue o elo entre mãe e filho. Um amor que muitas vezes não é compreendido, talvez porque está além da da nossa limitada compreensão do mundo e do ser humano.


