Retrato falado
PUBLICAÇÃO
quinta-feira, 11 de maio de 2000
Chiara Papali Especial para Folha da Sexta 
O ditado popular diz que mãe é tudo igual, só muda o endereço. Mãe é aquela que nos dá carinho, nos conforta, nos protege. É aquela para quem corremos nos momentos de aflição e insegurança. Mas, também, é aquela que dá broncas, cobra horários e deveres e, às vezes, chega a ser chata.
Em alguns casos os filhos chegam a prometer nunca vou ser igual a minha mãe. E não raras vezes, quando adultos, chegam a reproduzir seu comportamento com os próprios filhos, e a agradecer pelas broncas e pelos nãos, que ao contrário do que pensavam, enriqueceram suas vidas.
A Folha da Sexta conversou com alguns jovens que se propuseram a fazer um raio-x de suas mães, mostrando suas qualidades, defeitos, manias, momentos surpreendentes, enfim, escancarando o relacionamento mãe-filho. São fatos engraçados, pitorescos, comoventes, que provavelmente muitos outros filhos e mães já viveram, senão do mesmo jeito, com muita semelhança, o que faz pensar que o ditado pode estar certo.
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Eu gosto muito de conversar com a minha mãe, conto tudo para ela, coisas da escola, de paquera e de amigos. Como ela viaja muito por causa do doutorado em Campinas, até três vezes por semana, às vezes eu chego a ligar para lá, quando preciso conversar, pedir algum conselho, ou contar alguma coisa que aconteceu. Meu programa favorito é ir com ela ao shopping para comprar roupas. Nós costumamos usar as roupas uma da outra, mas eu acho que eu uso muito mais as dela, do que ela as minhas. Eu gosto das opiniões que dá para mim, mas ela ficou chateada comigo quando cortou o cabelo e eu disse que não gostei. Em março, no dia do meu aniversário, mamãe preparou uma festa surpresa. Foi muito legal! Eu adorei! Foi uma das melhores surpresas que já fez para mim. Uma coisa que eu não gosto nela é que às vezes não me deixa sair, ir em boates, lugares assim. Mas, o legal é que não fica brava por qualquer coisa. Minha mãe é muito estudiosa e batalhadora, e eu procuro me espelhar nela. Nesse Dia das Mães eu queria dizer que ela é tudo para mim.
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Manuela Bastos Paoliello, 14 anos, estudante, é a filha mais velha de Mônica Paoliello, 40 anos, professora de Farmácia e Bioquímica da Universidade Estadual de Londrina (UEL).
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Como nossos pais são separados, ela sempre foi nossa mãe e pai, quem nos educou e cuidou. Sempre cobrou muito de nós, principalmente para estudar. Uma coisa engraçada, que ela não deve saber até hoje: quando éramos crianças, deixávamos livros abertos espalhados pela casa toda, para fingir que estudávamos. Quando ela chegava, a gente desligava a TV, e os livros já estavam todos ali. Mas, isso foi coisa de criança, hoje nós agradecemos por ter pego tanto no nosso pé. Ela cobrou, mas o necessário. É uma mãe presente e preocupada quando a gente sai, ela pergunta com quem vamos, se vai ter bebida, pede para não voltarmos de carro com quem bebeu, e se a gente vai de carro, pede para a gente não beber. Uma coisa muito legal é que ela confia em nós. Outra coisa que surpreende é que quando um de nós está triste, não precisa nem falar até pela voz no telefone, ela já sabe como a gente está. Foi assim, quando o André foi sozinho para os Estados Unidos em um intercâmbio e eu (Daniel) para São Paulo, fazer faculdade. Nenhum dos dois conhecia ninguém e estávamos chateados. Ela dizia, pode voltar, não tem problema, e isso deu muita segurança para tomarmos a decisão certa. Ela é determinada, tem muita força de vontade e garra. Quando coloca alguma coisa na cabeça, vai e faz. Hoje conversamos sobre tudo, inclusive sexo, um assunto que sempre foi mais fácil de falar com o pai.
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André Malamud, 17 anos, e Daniel Malamud, 19 anos, ambos universitários, são filhos de Lou Malamud, 45 anos, empresária.
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Minha mãe é muito minha amiga, é quem eu sempre procuro para pedir conselhos e contar da minha vida. Ela gosta que a família esteja sempre junta, por isso quando eu fico muito tempo no meu quarto, ela vai lá me chamar para eu ficar com ela. Em 94, fiz um intercâmbio para a Espanha e era a primeira vez que eu estava viajando sozinha. Quando eu cheguei e abri a mala, tinha uma carta dela no meio das roupas, dizendo: Sempre que precisar me ligue, estou pensando em você todos os dias. Chorei muito, tive saudades, e fiquei muito feliz de ela ter feito isso por mim. Foi uma força e tanto! Com relação à escola e a estudos, ela nunca foi de cobrar, mas isso é legal, porque mostra confiança. O que eu mais gosto nela é que está sempre de bom humor e é muito carinhosa. O que eu não gosto muito é que ela fica muito preocupada quando eu saio, sempre tenho que ligar de onde estou. Quando eu era mais nova, ela ficava esperando acordada até eu voltar. As mães das minhas amigas são mais liberais, mas, pensando bem, eu prefiro assim ser mais protegida.
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Dolores Martins, 17 anos, estudante, é a filha mais velha de Neilar Lourençon Martins, 47 anos, advogada.
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O sonho da nossa mãe sempre foi ter um filho homem. Ela tentou, mas teve quatro meninas e hoje cuida mais dos nossos namorados, do que de nós. Mas isso é muito bom, porque hoje nós é que cuidamos dela, todos os problemas da casa são divididos e o que queremos é vê-la muito bem e feliz. O que não é difícil, porque ela é muito brincalhona, companheira e amiga. Gosta de estar com a casa cheia, de participar das festas, e de estar no meio da moçada. É um exemplo para nós é muito bonita, está sempre em forma, pratica esportes. Quando saímos juntas, as pessoas não acreditam que ela é nossa mãe. Nós temos muito orgulho dela nos criou praticamente sozinha, já que quando se separou as mais novas tinham sete anos. Foi uma época muito difícil, mas ela nunca deixou faltar nada. Se hoje nesta casa todo mundo trabalha é por causa dela pelo exemplo e pela força. Quando éramos adolescentes, nunca proibiu nada. Ela nunca dizia não fume ou não beba, mas procurava mostrar de uma maneira natural que não eram coisas boas de se fazer. Quando éramos crianças, nos obrigava a fazer natação. A gente detestava e chorava para não ir. Hoje agradecemos por ter feito tudo isso por nós. Queremos poder educar nossos filhos desse jeito e chegar na idade dela com o mesmo pique e a mesma forma. Nesse Dia das Mães a gente só pede para ela esperar um pouquinho neto ainda não!!!
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Manuela Moreira Lima, 27 anos, empresária; Flávia Moreira Lima, 25 anos, empresária; Paula Moreira Lima, 24 anos, advogada, e Roberta Moreira Lima, 24 anos, analista de sistemas, são filhas de Nádia Moreira, 50 anos, assistente de coordenação do Colégio Canadá.


