Retomando a rotina
PUBLICAÇÃO
sexta-feira, 25 de janeiro de 2013
Paula Costa Bonini <br> Reportagem Local 
Na casa da empresária Michelle Chistine Krieger e do marido, o também empresário Marcos Garcia, o recesso escolar altera bastante o dia a dia da família. Os filhos Tiago, de 7 anos, e Gustavo, de 5, ficam à vontade no período em que não vão à escola, não têm aulas de inglês, natação e tênis.
A regra é relaxar e a rotina é totalmente alterada, virando praticamente de ''cabeça para baixo''. Devido às novidades, que incluem viagem, piscina, brincadeiras e passeios, a hora de dormir e acordar é outra, as refeições são feitas em momentos diferentes e não existem tantas obrigações para cumprir.
''Quando estão em aula acordam e dormem bem cedo, pois estudam no período da manhã. Por isso, nas férias procuro deixá-los bem tranquilos'', comenta a mãe. Questionada, ela explica que ao invés de irem para a cama por volta das 20 horas, como acontece durante o ano letivo, deitam depois das 23 horas no período de recesso escolar. E acordam perto das 10 horas da manhã e não às 6 horas como estão acostumados.
Com isso, as refeições também mudam de horário e até mesmo o cardápio é alterado. ''Com esse calor tomam sorvete com frequência e comem mais doce, o que não acontece sempre'', diz.
A mudança na rotina de crianças e adolescentes durante esse período é comum e esperada. Mas é preciso voltar à realidade. E, neste momento, o papel dos pais é de fundamental importância. Para que o retorno não seja sofrido, é necessário um período de transição.
''Nós procuramos retomar a rotina normal pelo menos uma semana antes do início das aulas. O organismo vai acostumando novamente com os horários'', afirma o casal, destacando que desta forma a volta às aulas acontece de forma natural para os filhos Tiago e Gustavo.
Tempo para se reorganizar
A psicóloga clínica e escolar Carina Paula Costelini, especialista em análise do comportamento e psicopedagogia, aprova a atitude de Michelle e Marcos. ''É muito importante voltar a estipular regras em relação aos horários e hábitos das crianças e adolescentes no período que antecede o retorno às aulas, especialmente na última semana. O corpo precisa de um tempo para se reorganizar'', pontua.
Ela ressalta que normalmente os adolescentes sofrem mais com o retorno às aulas, uma vez que alteram a rotina ainda mais do que as crianças. ''Trocam o dia pela noite, fazem refeições em menor quantidade e qualidade, por exemplo'', observa.
Além de alterar os horários uma semana antes de retomar os estudos, outra dica da psicóloga é começar a introduzir leituras leves e agradáveis, sem necessariamente ter relação com o conteúdo escolar. ''As leituras voltadas ao conteúdo acadêmico só são necessárias quando o ano anterior deixou a desejar em termos de desempenho escolar ou conduta. Ainda assim, esse tempo deve ser curto e a exigência não pode ser elevada'', orienta.
Carina destaca que - independentemente da faixa etária - deve-se permitir que os filhos relaxem nas férias e desfrutem de atividades de lazer. Ela pondera, no entanto, que os pais não podem abrir mão de estipular o que é ou não permitido em termos de atividades, passeios, tempo na internet ou televisão.
A imposição de limites deve sempre fazer parte da rotina da família. ''É importante combinar as responsabilidades que devem cumprir nesse período, como arrumar a cama, não deixar objetos espalhados pela casa, entre outras'', especifica.

Leia a reportagem completa em conteúdo exclusivo para assinantes da FOLHA.
- Pais também devem se organizar


