Exposição de tecidos para a próxima estação, intensiva programação de palestras e a presença de Fause Haten marcaram o 2º Encontro Paranaense de Tendências de Moda
A consultora têxtil e de desenvolvimento de produtos Patrícia Suplicy, de São Paulo, abriu a tarde de palestras do 2º Encontro Paranaense de Tendências de Moda, realizado pelo Escritório de Desenvolvimento em Moda (Edem), que reuniu estudantes e profissionais da área no Centro de Convenções do Hotel Sumatra, no início deste mês, em Londrina. Com experiência de 13 anos no mercado e passagens pela Marlex e Dalutex em seu currículo, ela hoje tem escritório próprio e baseia seus trabalhos em pesquisas nas ruas, feiras e passarelas internacionais.
Objetiva e bem didática, a palestra teve em mira principalmente os confeccionistas, mas Patrícia trouxe informações que acabaram decepcionando quem esperava grandes novidades para a próxima estação. De forma geral, o verão será um prolongamento do que se viu nas passarelas deste inverno. ‘‘O problema é que aqui no Brasil, todo mundo ‘‘frita’’ tudo antes. Por isso, é preciso dar nova leitura para as tendências. Informação, hoje, todo mundo tem. O que difere é a maneira que cada profissional vai traduzi-la para o seu público-alvo’’, ensina a consultora.
Cores, estampas e materiais Segundo ela, as cores nas quais vale a pena apostar são o rosa – que chega à gama dos gerânios – os laranjas clarinhos e queimados; os amarelos vivos e esverdeados; e o turquesa, que cai muito bem na pele dos brasileiros. Beges e cremes são indicados para quem trabalha com um mercado mais sofisticado. O marrom e o verde merecem atenção, pois aparecem como os novos neutros. Patrícia recomenda que os confeccionistas tenham cuidado com o lilás. ‘‘Não funciona muito bem no Brasil’’, avisa.
As estampas ganham ainda mais força na próxima temporada e surgem em profusão nos mais diversos motivos: psicodélicos, geométricos, florais, ópticos (sempre melhor no preto e branco), tie-die e cashmeres. O patchwork também marca presença, já que a moda continua valorizando o aspecto de ‘‘feito à mão’’, o que confere identidade às roupas. De acordo com Patrícia, as peles de animais permanecem em foco, mas só têm fôlego para o início da estação. O destaque vai para o ‘‘pois’’ (bolinhas), que promete ser hit. As estampas tropicais (como folhagens) são outras boas apostas. Já a logomania deve ser encarada com desconfiança. ‘‘Pessoalmente, acho que é uma coisa para grandes marcas. Por aqui, você tem dúvida que vai ser a festa dos camelôs?’’, pergunta.
Entre as modelagens, assimetrias, decotes (principalmente nas costas), trespassados, vazados, amarrados e um certo clima de romance no ar, com muitos babadinhos. As peças-chave são o vestido-camisa, as calças mais curtas, lenços e foulards, jaquetas, peças com franjas (de inspiração apache) e microshorts. Os materiais são diversificados: telas de algodão com toques empapelado e encerado, chiffon de seda e imitações sintéticas, tricolines e tecidos dupla-face. E o brilho não sai de cena: efeitos de glitter e paetê, lurex e fios metalizados devem entrar na lista dos preferidos do verão. Para compor a estética new chique, que continuará em voga, tule com ou sem Lycra, suplex com elastano,jérsei e jacquard .
Trajetória de sucesso Com tantos itens citados que já estão no mercado, fica realmente a sensação de que a próxima estação vai ser apenas um repeteco. Deixar de olhar tanto para as passarelas internacionais é, portanto, a saída mais óbvia. Patrícia cita a moda praia, setor onde o Brasil faz as próprias regras em termos de tendências e já é referência mundial. ‘‘Os confeccionistas têm que ter um compromisso com a criatividade. É preciso começar a buscar outros caminhos’’, avisa.
O melhor exemplo dessa filosofia é o trabalho do estilista Fause Haten, cuja presença foi o ponto alto do evento. Nome de destaque no atual cenário da moda nacional, ele contou um pouco da sua trajetória de sucesso que culminou com o desfile na última edição da Semana de Moda de Nova York, em fevereiro. ‘‘Temos que escolher caminhos difíceis para fazer coisas inéditas’’, ressalta.
A guinada na sua carreira aconteceu justamente quando resolveu mudar de estilo. Reconhecido por fazer ‘‘alta-costura’’, surpreendeu a todos com um desfile realizado ao meio-dia no Jockey Club, durante o MorumbiFashion, em julho de 1998. Abriu mão dos vestidos glamourosos que fazia até então para ‘‘desfilar simplesmente uma imagem de moda’’, com tecidos sem costuras, que ‘‘embrulhavam’’ o corpo em modernas construções. Depois veio a fase dos tecidos com tratamentos especiais, uma alternativa inovadora que o estilista encontrou para driblar a falta de dinheiro. ‘‘Foi essa qualidade que adquiri na dificuldade que fez uma empresa americana olhar o meu trabalho como único’’, revela.
Fause refere-se ao empresário John Shulmman, da Giorgio Beverly Hills, que na época o convidou para apresentar a coleção em Los Angeles. O resto da história já virou lenda – ou melhor, conto de fadas – da moda brasileira. Com uma agente em Nova York que o representa mundialmente, o estilista busca novos parceiros para aumentar a produção e já tem peças suas no guarda-roupas de estrelas como Diana Ross e Pamela Anderson. Sobre a crítica de seu desfile publicada pelo New York Times, comparando as roupas douradas à embalagem do chocolate Godiva, ele retruca bem-humorado: ‘‘É um ótimo chocolate’’.

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