Resultados não devem assustar
O cirurgião-dentista e diretor da Bebê-Clínica, Luíz Reinaldo Walter, da Universidade Estadual de Londrina (UEL), vê os resultados da pesquisa realizada pela Secretaria Municipal de Saúde com bons olhos. ''Os dados mostram que Londrina é uma referência no combate à cárie. Em parte isso se deve ao trabalho da Bebê-Clínica e da prefeitura da cidade, mas também à mudança de comportamento dos dentistas e da população'', salienta.
Ele ressalta que a pesquisa apontou que 56,1% das crianças da zona urbana de 5 anos de idade não têm nenhuma cárie. ''Entretanto, esse dado nos mostra que 44% têm cárie, o que não deixa de ser um índice considerável, mesmo estando abaixo do preconizado pela OMS. Não podemos esquecer que a Organização Mundial da Saúde nivela por baixo, levando em conta países bem mais pobres que o Brasil. O ideal seria que o nosso índice de cárie em crianças fosse menor que 1%'', diz.
Segundo o professor Luíz Walter, a Bebê-Clínica atende crianças de até 5 anos completos e faz aplicação de flúor. ''Apesar dos resultados da pesquisa, vamos continuar usando porque a concentração que aplicamos é biologicamente adequada. Estamos pensando em reduzir o uso de flúor em crianças de 1 a 2 anos, não por causa da fluorose, mas porque o índice de cárie nos bebês atendidos aqui na Clínica é de 0%. Portanto, não justifica a aplicação do produto'', esclarece.
Desde julho do ano passado, o bocejo com flúor nas escolas foi eliminado totalmente. Para Luíz Walter, a medida pode até ser correta, mas deveria ser gradativa e não abrupta. ''Quando se trata de saúde devemos ter mais cautela nas decisões'', defende.
Sem susto De acordo com o cirurgião-dentista, o índice de 76,6% de fluorose apresentado na pesquisa não deve assustar ninguém, mas servir de alerta. Ele também defende que a lei criada em 1983, que determina o índice de flúor nos cremes dentais, deve ser revista. ''É preciso reduzir a concentração de flúor nas pastas e as mães devem limitar o uso do creme para os filhos com menos de 3 anos. Ou seja, colocar menos creme na escova'', recomenda.
Luíz Walter orienta também que as crianças com menos de 3 anos escovem os dentes apenas duas vezes por dia com pasta fluoretada. ''A terceira escovação deve ser com pasta sem flúor''. Ele informa que além dos cremes importados que não contêm flúor, existe o nacional Angeform, produzido pela Fórmula e Ação. ''A Natura e a Johnson & Johnson também estão fabricando pasta com menor concentração de flúor'', acrescenta.
O dentista defende ainda que a concentração de flúor na água de abastecimento deve ser diminuída. ''Com isso, será reduzido também o índice de flúor nos chás e demais alimentos ingeridos pelos bebês que, no geral, contêm flúor'', diz Luíz Walter.
O diretor da Bebê-Clínica ressalta que a fluorose leve é apenas um problema estético. ''Agora, quando ela é moderada ou severa vira um problema de saúde pública. Mas, em Londrina, a quantidade de crianças afetadas por fluorose moderada ou severa é baixa '', afirma.
A Bebê-Clínica foi criada em Londrina em 1986 e, hoje, a metodologia adotada no programa é reconhecida mundialmente. ''Além do Brasil, nossa metodologia está sendo usada nos Estados Unidos, Venezuela, Cuba e até em Israel'', informa Luís Walter. (C.M.)





