Aproximar os pais do dia-a-dia dos filhos na escola é um dos resultados que vêm sendo obtidos pelo ‘‘Amigos da Escola’’, projeto da Rede Globo em parceria com o programa Comunidade Solidária, do governo federal. Só no Paraná, cerca de 2.400 instituições de ensino contam com voluntários que aderiram ao apelo da mídia; em Londrina, são aproximadamente 40. A novidade, por aqui, é que ao contrário do que se imagina, a idéia não foi bem-vinda somente nas escolas públicas. Desde o início do ano, a St. James International School, escola bilíngue frequentada por filhos da elite londrinense, tem praticado – e aprovado – a experiência.
A diretora Márcia Kobayashi conta que a participação dos pais começou espontaneamente. ‘‘Por causa do Ano Internacional do Voluntariado temos levado os alunos para visitar creches e asilos. Os pais começaram a ir junto e a se envolver com essas atividades, diz.’’ Desde então, eles têm se disponibilizado a ajudar em diferentes áreas da escola, sempre atentos às necessidades que vão surgindo.
Economia Entre os exemplos, Márcia cita uma mãe, fisioterapeuta, que se propôs a realizar um trabalho de correção de postura das crianças ao saber que elas tinham esse problema. Outra, nutricionista, elaborou uma pesquisa para saber os hábitos alimentares dos alunos e então sugerir um cardápio especial. ‘‘Uma avó chegou a ficar durante um mês na porta da escola, recebendo os alunos, além de organizar toda a biblioteca para nós’’, relata a diretora. A manutenção dos computadores da escola também passou a ser responsabilidade dos pais que atuam na área de informática.
Márcia observa que a economia obtida com a não contratação de profissionais para realizar esses serviços acaba revertendo em benefício da própria escola. ‘‘Minha intenção, futuramente, é abrir o balanço e receber sugestões sobre aplicações financeiras mais vantajosas e formas de economizar para, quem sabe, diminuir a mensalidade’’, adianta ela, animada com a experiência. ‘‘Trabalho há 15 anos com escola e sempre tive um certo receio de envolver muito os pais. Mas agora estou empolgada’’, diz.
Responsabilidade Esse entusiasmo também se estende aos pais, que fundaram uma associação para dividir as tarefas de acordo com a especialidade e a disponibilidade de cada um, o que inclui palestras em sala de aula. ‘‘Um deles, médico, trouxe para a escola uma superenciclopédia sobre o corpo humano que nunca teríamos na nossa biblioteca’’, conta Márcia. Segundo ela, hoje, a responsabilidade da escola na formação da cidadania é maior; por isso, é fundamental que a família participe do convívio escolar.
‘‘A escola é uma continuação de casa. Problemas que acontecem com nossos filhos na escola podem ter origem em casa e vice-versa’’, observa a comerciante Sandra Brunetti, responsável pelo setor social da associação. Além de contribuir com a organização de eventos, ela participa, vez ou outra, das aulas de culinária. ‘‘Não que eu seja uma gourmet, mas já ensinei a fazer alguns pratos’’, conta.
Motivação A pedagoga e comerciante Denise Chineze acredita que ao verem os pais participando das atividades da escola, os filhos se sentem mais motivados a aprender. ‘‘Antigamente, quando eu lecionava, percebia que os pais faziam da escola um estacionamento de criança, pois pensavam: estou pagando, meu filho tem que ficar aí. Mas quando sabemos que o retorno será em benefício de nossos próprios filhos, fazemos com amor, sem olhar apenas o lado financeiro’’, diz ela, que dá a sua contribuição colando cartazes, organizando gincanas e contando estórias para os pequeninos, na classe de um de seus filhos. ‘‘Ele sempre perguntava porque eu não podia ser professora dele se tinha sido professora de outras crianças. Então falei com a diretora e fiz a experiência. A turminha adorou ter a mãe de uma amiguinho dando aula. E já pediu para que outras mães participem também’’, relata.

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