Respiração bucal afeta a dinâmica do corpo
Primeira função desenvolvida pelo ser humano, a respiração tem influência determinante na formação crânio-facial, podendo afetar o equilíbrio da musculatura e causar desarranjos na face e na boca. É o que acontece com os respiradores bucais. ''O céu da boca pode ficar estreito, a mordida aberta, os dentes apinhados e há o risco de gengivite. O problema pode acarretar ainda desorganização das funções exercidas pelos lábios, língua e bochechas, além de mandíbula retroposicionada (voltada para trás)'', explica a ortodontista Karen Siqueira.
De acordo com ela, quem tem o problema apresenta algumas características básicas, como face alongada e estreita, olheiras profundas, lábios ressecados e boca entreaberta. Alguns antecedentes também estão sempre presentes: infecções respiratórias repetidas, quadro de rinite alérgica, mau hálito e ronco costumam estar associados ao distúrbio.
Karen informa que a respiração bucal é responsável ainda por desvios posturais como ombros arqueados, tórax estreito e cabeça projetada para a frente. ''As crianças geralmente têm o sono agitado e comportamento agressivo sem causa aparente, além de serem desatentas. Isso acaba levando a problemas escolares, baixo rendimento na sala de aula, inaptidão ao esporte e fragilidade de personalidade'', enumera a dentista.
O tratamento que deve ser multidisciplinar deve começar o mais breve possível, por volta dos quatro anos de idade ou assim que a criança aceitar a intervenção. ''Só assim se obtêm os melhores resultados, pois a assimetria que se instala no organismo vai se tornando irreversível com o passar do tempo'', avisa Karen. Além do ortodontista, devem estar presentes o fonoaudiólogo, o fisioterapeuta e o otorrinolaringologista. Em caso de dúvidas dos pais sobre o assunto, a ortodentista recomenda que a criança passe por uma avaliação. (R.V.





