Respiração bucal
Angela Raizer Barbosa
Um ato tão banal quanto respirar pode trazer sérios problemas à saúde, quando praticado de forma incorreta. Respirar é o primeiro ato de sobrevivência que praticamos ao sair do útero materno. Tão natural e perfeito que já nascemos com esse instinto, dispensando qualquer tipo de ensinamento ao praticá-lo pela primeira vez de forma correta pelo nariz. No entanto, durante o crescimento, muitos bebês acabam adquirindo o hábito de respirar pela boca, provocando diversas alterações físicas que podem acompanhá-los até à vida adulta, quando não forem tratadas. A amamentação ainda é a primeira medida de prevenção do problema.
Conhecida como Síndrome da Respiração Bucal, essa patologia pode desencadear diversas outras doenças. As causas orgânicas podem ser variadas e muitas vezes associadas rinites alérgicas, adenóides aumentadas, asma, bronquite, desvio do septo nasal, céu da boca profundo e estreito. Isso sem contar as causas comportamentais que envolvem o hábito incorreto de respirar. Às vezes até uma gripe com obstrução das vias respiratórias faz com que a criança adquira o hábito de respirar pela boca.
Uma das características marcantes de quem tem esse problema é estar sempre de boca aberta, além possuir arcada dentária estreita, gengivas ressecadas e sangrantes, olheiras, rosto alongado, respiração ruidosa, problemas de postura, de dicção, mastigação, deglutição e fala, queixo pequeno, lábios separados, má-oclusão dos dentes, entre outras alterações físicas, associadas ou não. As pessoas que respiram pela boca em função da obstrução das vias aéreas superiores podem apresentar também problemas de oxigenação, ou seja, menos oxigênio no sangue que circula no organismo.
Tratamento Quanto mais precoce for o tratamento, menos consequências trará para o organismo da criança. Assim, é importante que os pais observem seus filhos, verificando se dormem de boca aberta, apresentam baba noturna, abdome proeminente, cabecinha projetada para frente, têm dificuldades de concentração, entre outros sintomas que podem ser constatados no surgimento da respiração bucal.
Dependendo do estágio da síndrome, é interessante que o paciente seja atendido por uma equipe multiprofissional, para resultados mais rápidos e eficientes. Até porque a respiração bucal associa vários problemas. Essa equipe pode incluir médicos otorrinolaringologista e alergista,, fonoaudiólogo, homeopata, fisioterapeuta e ortodontista.
Reeducação postural Antes de tudo é preciso constatar se há causas orgânicas que afetam a respiração, consultando os médicos especialistas nessa área. Se forem constatadas obstruções mecânicas ou doenças respiratórias, o tratamento será, inicialmente, feito com medicamentos ou cirurgia, para depois o paciente ser encaminhado aos outros profissionais. Depois que o ato de respirar pela boca tornou-se um hábito, o fato de eliminar a obstrução nasal não vai resolver as consequências decorrentes da patologia.
Má-oclusão dos dentes, mastigação, deglutição, respiração e fala alteradas exigem a intervenção do ortodontista e do fonoaudiólogo, já a reeducação postural global requer tratamento com fisioterapeuta. Já se sabe que a respiração incorreta pode levar ao encurtamento das cadeias musculares e dos ombros, alterações na coluna cervical, lombar, ombros, joelhos e pés. O tratamento postural é indicado depois que a criança completar 7 anos, idade em que o tônus postural está fixado. Antes disso, o fisioterapeuta atuará apenas com orientações posturais, como peso da mochila, jeito de sentar, assistir à TV, dormir.
Consultoria: Orson Norio Takemoto (otorrinolaringologista), Moisés Pereira Júnior (fonoaudiólogo), Fabiana Tomie Sato (cirurgiã-dentista, especialista em ortodontia), Josette Senedese (fisioterapeuta), profissionais que fazem parte do Grupo de Estudos Multiprofissionais.O hábito de respirar pela boca pode provocar diversas alterações físicas e algumas doenças
ReproduçãoAinda na fase de amamentação é possível prevenir a Síndrome de Respiração BucalMário CesarOrson Takemoto, Moisés Pereira Júnior, Fabiana Sato e Josette Senedese: equipe multiprofissional de pesquisa e tratamento da respiração bucalSAÚDE





