A campainha toca, seu coração dispara, dá um frio enorme na barriga e o chão parece fugir aos seus pés. Ele chegou... Basta ela passar por você que seu corpo estremece todo, seu perfume o deixa tonto de prazer, sua boca fica seca e mal consegue dizer ‘‘oi’’, suas mãos começam a transpirar... Emoções que fazem os jovens perder o rumo na descoberta do amor. E, opinião unânime, não há nada melhor do que sentir a paixão arder no peito, perder os sentidos e entregar-se às sensações do amor. O problema é que com o passar dos anos, com a chegada da rotina, estes sentimentos vão ficando cada vez mais raros. Por que?
Especialistas afirmam que a paixão arrebatadora, a urgência de sexo, com o tempo, cedem lugar à cumplicidade, ao amor seguro. O romantismo tropeça na primeira crise conjugal. E com a chegada dos filhos, o foco de atenção passa, invariavelmente, para as crianças. Lençóis de algodão egípcio, velas aromáticas, perfume e rosas são rituais que vão se tornando cada vez mais lembranças do passado. De cenas de filmes e novelas.
Paixão adormecida Mas, casamento é isso? Não, este definitivamente não tem – e não deve – ser o destino dos que optam pelo matrimônio. O difícil é perceber que ser casado não significa ser menos intenso. É não se deixar levar pela torneira quebrada, pelo chuveiro queimado, pela grama por aparar, pelo cesto de roupa para passar. Basta saber dividir problemas, tarefas e prazer. Pode até parecer uma conclusão simplista demais, porém, especialistas no assunto afirmam ser este um dos principais entraves conjugais. Ou seja, o não equilíbrio matrimonial. Mudanças de atitude ajudam, e muito. Comece deixando todo o tipo de confusão caseira fora das quatro paredes do seu quarto.
E, considere, tesão não aparece somente na hora do sexo. Afinal, quando somos adolescentes não transamos a toda hora e o tesão sempre está em alta. Pequenos gestos de carinho e afeição podem dar início a um processo de resgate da paixão adormecida. Olhe nos olhos do seu amor, faça carícias enquanto assistem à televisão, prepare um jantar especial... Procure ter momentos a sós com seu parceiro(a), para conversar, ouvir música, namorar. Reeduque sua busca pelo prazer, aos poucos.
Céu azul Claro, não se pode confundir paixão com amor. Mas a paixão é essencial. A paixão é intensa, é a dose de exagero que ultrapassa limites do que vivemos na rotina diária. ‘‘Tudo é exageradamente maravilhoso, não existe a menor sombra de nuvem para manchar o céu azul; não há nenhum obstáculo para atrapalhar o estado de felicidade perfeita’’, explica a psicóloga Maria do Carmo Ferrari Fagundes. ‘‘Com o amor não é assim. Nele, diferentemente, a pessoa mantém referências da realidade. O amor inclui, portanto, a preservação de limites.’’
Pode-se, então, afirmar que paixão e amor se completam. ‘‘Na verdade, somente um estado de amor nos permite tolerar e suportar nossas dificuldades, somadas às dificuldades da pessoa amada. Na paixão, é importante frisar, essa aceitação não existe; aliás, passa longe disso. Nela não há lugar para suportar nada e, na realidade, nem o apaixonado está disposto a isso’’, conclui Maria do Carmo, autora de ‘‘Paixão – Força, Beleza e Perigo de Um Sentimento’’ (Editora Gente).
Quando se fala em retomar a paixão de um relacionamento, a idéia não é reproduzir romances como os de Romeu e Julieta ou Tristão e Isolda. Ao contrário. É resgatar o próprio relacionamento, a felicidade esquecida em algum canto do passado.

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