Seria o fim da banana split, dos Bananas de Pijamas e da roupa da Chiquita Bacana que veste uma casca de banana nanica? Recentemente, a respeitada revista inglesa New Scientist publicou o resultado da pesquisa de um grupo da International Network for the Improvement of Banana and Plantain, com sede em Montpellier, na França. De acordo com esse estudo, o fim da banana no mundo estaria muito próximo por conta de fungos e pestes que atacam as plantações, principalmente da América Central, África e Ásia.
Se o anúncio do fim da banana assustou muitos ''adoradores'' da tal fruta amarela, outros tantos pesquisadores nem sequer piscaram. Acostumados ao desenvolvimento de novas variedades de plantas resistentes às pragas conhecidas, geneticistas já se preocupam com a Sigatoka Negra a grande vilã dos bananais há alguns anos.
No Brasil, o Instituto Agronômico de Campinas e a divisão de Mandioca e Fruticultura da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), localizada em Cruz das Almas, na Bahia, desenvolveram variedades de bananas comprovadamente resistentes à Sigatoka Negra, que já se instalou no País vinda da América Central direto para o Amazonas, cerca de cinco anos atrás.
O biotecnólogo cubano Hector Vento Diaz, responsável pela Biofábrica da Unopar, localizada em Tamarana, está no Brasil por meio do convênio firmado entre Unopar e Universidade Agrária de Havana. Entre suas atribuições no País, Diaz se prepara para fornecer mudas dessas novas variedades para plantadores de todo o Estado. ''Em quatro ou cinco semanas iremos receber algumas mudas vindas da Bahia, e dentro de um ano e meio estaremos prontos para repassá-las para os plantadores'', explica o biotecnólogo. ''Nosso trabalho é conseguir multiplicá-las em pouco tempo e em boa quantidade'', completa.
''Nas cinco novas variedades resistentes, há uma perda de qualidade. A banana não é tão doce, mas continua gostosa. No Amazonas, aonde são consumidas há algum tempo, as pessoas já se acostumaram com o novo sabor'', garante.
Hector Diaz não acredita que a banana vá acabar em 10 anos como alardeou o grupo de pesquisadores da França. De acordo com o biotecnólogo, 30 anos atrás, a variedade Gros Michel, consumida em larga escala pelo mundo afora, acabou dizimada por uma praga também. ''Geneticistas criaram então a Cavendish (banana-nanica)'', lembra Diaz. Apesar de saber que o fim da banana não vai mesmo acontecer, o biotecnólogo alerta que a Sigatoka Negra vai mesmo se espalhar pelo Brasil.
Com a coordenação de Diaz, a biofábrica da Unopar já fornece mudas de banana- maçã resistentes ao Mal do Panamá, outra praga devastadora. ''Com a banana, o lucro só vem depois da primeira colheita. Numa plantação totalmente sadia, é possível ter oito colheitas'', ensina. ''Só não é possível usar as mesmas ferramentas utilizadas numa plantação doente'', avisa Diaz.
Quando Carmen Miranda cantava ''Yes, nós temos bananas'', não era só uma alegria musical. Segundo o biotecnólogo, a banana é a segunda fruta do Brasil. Só perde para a laranja.n

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