Reposição hormonal vira assunto de homem
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quinta-feira, 07 de agosto de 2003
Luciana Miranda<br> Agência Estado 
É implacável. Até o mais forte dos homens terá menos testosterona com o passar do tempo. A queda do hormônio faz parte do processo natural de envelhecimento, não significa doença nem menos virilidade. O problema é que, quando mais acentuada do que o normal, pode provocar sintomas que prejudicam a qualidade de vida do homem. A saída, nesse caso, é fazer reposição hormonal, mas com acompanhamento médico bem de perto.
Em nada o fenômeno masculino se parece com a menopausa feminina. O termo andropausa, usado para identificar o período de maior queda da testosterona, é condenado pelos especialistas. ''Não há pausa no caso do homem'', diz Eric Roger Wroclawski, presidente da Sociedade Brasileira de Urologia e professor de urologia da Faculdade de Medicina do ABC. A menopausa marca a fase em que a mulher pára de ovular; o homem, mesmo os mais idosos, continuam produzindo espermatozóides.
Perigo Apesar de não haver estatísticas sobre qual porcentagem de homens se beneficia da reposição de testosterona, os médicos sabem que se trata de parcela bem pequena. No mundo todo, especialistas alertam para o perigo de banalizar a reposição hormonal masculina. ''Testosterona não é droga antiidade'', reforça o urologista alemão Friedrich Jockenhövel. ''Melhora sintomas, mas não é fonte de juventude.''
Sem informação sobre o assunto, o risco é os homens serem seduzidos pela ilusão do rejuvenescimento. É a preocupação constante de Wroclawski. ''Envelhecimento e doença são diferentes. Envelhecer é mais complexo do que tomar testosterona. O problema é que as pessoas tendem a procurar o que exige menos esforço.''
Quando o homem atinge os 50 anos, seu nível de testosterona cai mais. De acordo com recomendação internacional, a partir dessa idade, os médicos devem investigar como está o hormônio do paciente, com a aplicação de questionários específicos que avaliam a ocorrência de sintomas provocados pela queda hormonal. Só depois, para aqueles que têm sintomas, deve ser feito exame de sangue para dosar a testosterona. Para quem não tem sintomas, a rotina precisa ser repetida a cada cinco anos.
Sintomas Cansaço, falta de disposição e de desejo sexual, menos força muscular e memória também em baixa são alguns sinais da queda de testosterona. É raro, mas podem ocorrer ondas de calor, como nas mulheres. Um dos problemas que os médicos enfrentam é que os sintomas são comuns demais. ''São típicos em homens que moram em cidades grandes e podem estar ligados a estresse, por exemplo'', explica o endocrinologista Wilmar Accursio, da Sociedade Brasileira de Medicina Estética.
Por isso, não bastam apenas sintomas nem só testosterona baixa para alguém ser candidato à reposição hormonal. Os dois itens devem estar juntos para justificar o tratamento. A faixa normal de testosterona no homem é de 300 a 1.000 nanogramas por decilitro de sangue. Quando menor do que 300, o hormônio é considerado baixo.


