Rendas, frufrus e outros babados
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quinta-feira, 12 de julho de 2001
Rosângela Vale Enviada Especial 
Ao contrário de outros verões, quando o esforço criativo dos estilistas estava centrado nas formas mais criativas de despir, nesta temporada a inclinação é outra. Na edição primavera-verão 2001/2002 da São Paulo Fashion Week, que terminou semana passada, em São Paulo, shorts e minis estiveram presentes aqui e ali, mas a orientação geral parece ser não exibir o corpo gratuitamente. Pode até parecer que os donos da tesoura tenham resolvido brigar com os termômetros, mas os tecidos tecnológicos, vedetes da estação, se encarregam de refrescar o mais recatado dos modelitos.
A idéia de sedução, agora, passa por blusões que escorregam e revelam os ombros, pela transparência da renda, que surge conjugada a outros tecidos, formando interessantes patchworks, e ainda pela cinturinha de vespa marcada por cintões e corselets. Aposentar o escarpim do inverno, nem pensar. Pelo menos nas passarelas do maior evento de moda do Brasil, eles dividiram espaço com as sandálias e devem permanecer nas vitrines nos meses de calor. Afinal, os anos 80 continuam firmes e fortes e o perfume punk ainda vai estar no ar na próxima estação.
Mas, para quem não se deu bem com as calças superjustas que estão monopolizando as araras, uma boa notícia: apesar de as leggings terem sobrevivido a mais uma temporada, as pantalonas estão de volta. Democracia também no comprimento da saia: mini, longa, de corte em viés, assimétrica, armada, em linha A ou com pregas. Os volumes estão em alta e surgem na forma de babados e muitos franzidos, evidenciados pelo uso do elastex, recurso presente em boa parte das coleções.
Amarrações, frufrus de tule e renda, fitas e tirinhas, costuradas ou soltas, são outras tendências e ajudam a conjugar o verbo da hora no planeta fashion: customizar. O que, trocando em miúdos, significa dar um toque pessoal ao look. Portanto, é bom ir tirando o pó da máquina de costura, pois ela será item de primeira necessidade neste novo momento da moda.
Fazer com que as roupas tenham cara de usadas é uma das formas de customização. Seguindo essa linha, os jeans surgem com desgastes localizados, seja na calça ou na jaqueta. O índigo ganha ainda listras e estampas em jacquard. Os grafismos e as flores de todas as espécies incluindo os hibiscos vêm com a função de quebrar a monocromia da estação, já que o preto e branco são protagonistas, seguidos pelo amarelo e pelo vermelho. Nas próximas páginas, os destaques das 21 coleções femininas prêt-à-porter apresentadas no evento.
* Confira na próxima edição as coleções masculinas e de moda praia.
** A jornalista Rosângela Vale viajou a convite da organização da São Paulo Fashion Week.


