O efeito terapêutico dos animais vem chamando a atenção dos cientistas há tempos. Inúmeros estudos espalhados pelo mundo comprovam que o convívio com um bicho de estimação pode ajudar na recuperação de diversos problemas de saúde de seus donos.
Pesquisadores da Universidade de Warwick, na Inglaterra, acompanharam 70 mulheres com câncer de mama. Eles notaram que a convivência com os bichos trouxe conforto emocional, ajudando no tratamento. A mesma universidade realizou outro estudo com 138 crianças. Os resultados mostraram que 40% delas procuravam o amigo bicho quando estavam tristes.
Os cães são os animais mais usados nas chamadas Terapias Assistidas por Animais. Nessas ONGs eles são mediadores de atividades conduzidas por voluntários e profissionais como psicólogos, fisioterapeutas e fonoaudiólogos, em hospitais, asilos e orfanatos. Essa convivência acaba sendo uma mais-valia em variadíssimos casos: crianças com câncer ou maltratadas, idosos, doentes em fase terminal, entre outros.
''Durante muito tempo coordenei a cão terapia. Reunia aqui na ONG 30, 40 filhotes. Quem almoçasse direitinho escolhia um filhote e brincava com ele. No fim, acabava dando o filhote para a criança levar para casa. Os cachorros davam alegria para as crianças. Se pudesse dar uma nota para a ajuda que eles proporcionam para as crianças doentes, daria mil. Nunca presenciei uma criança aqui que não gostasse de cachorro. É uma pena que nem todas as pessoas tenham condições de ter e cuidar de um'', relata Elvio Garcia, voluntário há 11 anos na ONG Viver, que cuida de crianças com câncer.
Doutores cães
Dudy, um simpático shih-tzu, é tido por Rafael Simeoni Ribeiro, 5 anos, como seu melhor amigo. Rafael lutou contra a leucemia durante um ano e quatro meses. Passou dias na UTI, gerou dúvidas entre a equipe médica sobre sua recuperação e hoje, já restabelecido, vive uma vida normal, como qualquer criança de sua idade.
''O Rafa sempre gostou demais de cachorro e durante seu tratamento o Dudy foi uma excelente companhia para ele. Ele fez toda a diferença na recuperação do meu filho, principalmente na época em que ele não podia ir para a escola. Os dois brincavam o tempo todo, e o Dudy sempre sentia quando o Rafa não estava bem. Ficava deitado do lado dele o tempo todo, trazia brinquedinhos e isso acabava distraindo meu filho. Enquanto o Rafa não levanta da cama, ele (cachorro) não sai do lado dele. Os cachorros possuem uma sensibilidade indescritível'', conta Valéria Simeoni Ribeiro, mãe de Rafael, que na sinceridade de criança diz que teria mais de mil cachorros, e completa: ''O Dudy gosta de mim e eu gosto dele''.
Os sete cachorros adotados pela família de Ana Caroline de Oliveira foram verdadeiros bálsamos na vida da adolescente, que por um ano também foi vítima da leucemia. Recuperada, ela resume o que os bichinhos representam e representaram durante o tratamento.
''Eles foram meus companheiros o tempo todo. Quando fiquei internada, minha mãe contava que eles me procuravam pela casa. Os cães têm poderes mágicos e o carinho que me deram era exatamente o que eu precisava naquele momento. Eles me davam alegria que, às vezes, nem as pessoas conseguiam me dar. Eram minha distração. Quando eu estava com eles, esquecia de tudo, inclusive que estava doente'', lembra ela.
Lilica é o xodó da família Manzan dos Santos. A charmosa poodle, fiel companheira da adolescente Barbara Manzan dos Santos, 12 anos, teve, conforme relata ela, papel importante durante todo o tratamento que enfrentou contra leucemia.
''Lilica é minha filha, minha amiga. Dorme comigo e me ajudou demais quando eu estava doente. Me distraía com ela. Minha mãe contava que quando eu estava internada a Lilica ficava triste, sentia minha falta. Quando eu voltei para casa, nunca a vi tão feliz'', lembra Barbara.


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| Foto: Marcos Zanutto
Curado de uma leucemia, Rafael Ribeiro, 5 anos, brinca com Dudy: excelente companhia durante todo o tratamento
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| Foto: Celso Pacheco
Barbara dos Santos e a fiel companheira Lilica: ''Quando eu voltei para casa, nunca a vi tão feliz''
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Ana Caroline de Oliveira e seus cães: ''Qando fiquei internada, minha mãe contava que eles me procuravam pela casa''