Redação informatizada
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quinta-feira, 18 de outubro de 2001
Celso Mattos 
A redação é o bicho-papão do vestibular e, para vencê-lo, os candidatos a uma vaga na universidade precisam se preparar muito. Para isso, uma nova arma está sendo usada para combater esse ''dragão'' que ameaça devorar jovens estudantes em busca de um futuro melhor: a informática, através de um curso inédito de Redação Informatizada. À primeira vista pode parecer estranho, pois no vestibular não é permitido usar nem calculadora para fazer cálculos, quanto mais um microcomputador para digitar a redação.
Calma! Vamos explicar essa metodologia inovadora em Londrina, criada pela jornalista e pedagoga Luzia Cabreira e pela psicóloga Luciana Grandini, especialista em educação, ambas com mais de dez anos de experiência na área de ensino de redação. Luzia esclarece que, primeiro, o aluno escreve a redação à mão e, depois, ele passa para o computador. ''Esse distanciamento do texto permite uma melhor análise de conteúdo e correção ortográfica'', explica.
Ela pondera que escrever o texto à mão não é importante só porque esse é o método utilizado no vestibular, mas também porque o aluno tem a possibilidade de treinar sua caligrafia. ''Minha experiência na área de ensino de redação mostrou que o aluno não gosta de passar o texto a limpo, no entanto, ele tem um incentivo quando pode fazer isso no computador, que é uma tecnologia que exerce um certo fascínio sobre os adolescentes'', justifica Luzia Cabreira.
A psicóloga Luciana Grandini acrescenta que depois que o aluno digita a redação, ele é orientado a ler, reconhecer os erros de ortografia, de conteúdo e de objetividade. ''Como no computador é mais prático corrigir e inverter parágrafos, o aluno se sente motivado para reelaborar seu texto. No curso, o computador entra apenas como uma ferramenta facilitadora'', observa a psicóloga.
Textos jornalísticos Entretanto, o curso não ensina apenas a escrever, mas também noções de categoria de análise de texto e trabalha conceitos de ideologia, representação social e identidade. ''Essa parte teórica é importante para que o aluno possa usar esses conceitos com mais propriedade no texto, pois o ato de escrever exige também conhecimento de mundo e cultura geral. Um erro muito comum nas redações dos vestibulares é o uso de forma errada da palavra como ideologia, fora de contexto'', analisa Luzia Cabreira.
Para isso, as professoras utilizam como instrumento didático textos literários, jornalísticos e até filmes. ''A Folha Cidadania, da Folha de Londrina, é um auxílio pedagógico importante porque usa várias linguagens e diferentes temas. Utilizamos também o filme ''Endiabrado'' que apesar de não ser grande coisa em termos cinematográficos, é importante para discutir noções de identidade e maniqueísmo'', justifica Luciana Grandini.
Luzia Cabreira ressalta que no curso o ensino de redação é voltado para o cotidiano do aluno. ''Nada de produzir textos sobre, por exemplo, como foram suas férias. Trabalhamos com temas da atualidade porque é isso está cada vez mais frequente nos vestibulares. Utilizamos também muitos textos jornalísticos porque, além de atuais, são objetivos e claros'', afirma a professora.


