As doenças cardiovasculares ocupam o primeiro lugar nas causas de morte da população idosa no Brasil. Apesar de não haver números oficiais, os infartos e os derrames se destacam entre os males que afetam as pessoas nessa faixa etária. Doenças que, segundo o médico cardiologista José Eduardo de Siqueira, são desenvolvidas desde os primeiros anos de vida pela ausência de hábitos saudáveis, como alimentação adequada, e prática de exercícios físicos.
Essas doenças, seus fatores de risco, diagnósticos e avanços nos tratamentos estão entre os temas que serão debatidos no 9º Simpósio Paranaense de Cardiogeriatria e I Encontro Paranaense de Gerontologia que se realiza em Londrina nos dias 6 e 7 de dezembro, na sede da Associação Médica (AML), na Avenida Harry Prochet. O evento é promovido pela AML, Secretaria Municipal do Idoso e Sociedade Paranaense de Cardiologia.
Na mesma semana, o grupo de terceira idade da Associação Cultural e Esportiva de Londrina (Acel), lança o livro ''A saúde do Idoso de Londrina'', no dia 4 de dezembro, no Salão de Convenções do Crystal Palace Hotel. A publicação traz os resultados de uma pesquisa feita pela Secretaria Municipal do Idoso, em 2000, que mostra o perfil de saúde dessa população na cidade. O estudo foi coordenado pelos médicos Luiz Carlos Miguita na época na Secretaria do Idoso , José Eduardo de Siqueira, Issamu Onishi e a professora Luzia Yamashita Deliberador.
Mudança cultural José Eduardo destaca que a sociedade despertou tardiamente para o atendimento ao idoso. Na Sociedade Brasileira de Cardiologia, por exemplo, o departamento de cardiogeriatria foi o último a ser criado. O médico alerta que daqui a cinco anos, o País terá 20 milhões de idosos e a sociedade não está preparada para cuidar dessa população.
Baseado em experiências de outros países, o cardiologista destaca que, ''quanto mais tarde se atende a saúde do idoso mais reduzidas são as opções de tratamento e maiores são os gastos''. Segundo ele, a prevenção das doenças na terceira idade começa na adolescência. José Eduardo observa que é preciso uma mudança cultural, nos hábitos, que ocorrem lentamente. ''A prevenção é o caminho para um boa e econômica qualidade de vida''.
O cardiologista critica ainda o atual modelo de sociedade onde a pessoa vale pelo que faz. O velho, cuja capacidade de produção é mais limitada, passa então a ser visto como um peso no plano social e familiar. ''Onde fica a riqueza cultural que essa pessoa possui e o que ela já produziu para que essa sociedade chegasse até aqui?'', questiona.
Apesar disso, ele reconhece que há avanços na atenção a essa população. Em Londrina, ele destaca a criação da Secretaria Municipal do Idoso, como um marco nos cuidados ao idoso na cidade. José Eduardo lembra que um diagnóstico feito pelo órgão mostrou que há muitos jovens que dependem dos mais velhos. Pesquisa realizada em um bairro da cidade mostrou que muitos deles abrigam os filhos adultos em suas casas e mesmo assim se sentem sozinhos e desrespeitados pela família. ''Eles têm menos reflexos, escutam pouco, têm dificuldades no entendimento e, por isso, não encontram quem converse com eles''. Para esses idosos, os grupos de terceira idade significam o direito a algum tipo de participação, de contribuição à sociedade.
Para José Eduardo, a sociedade, apesar do pensamento egocêntrico, ainda tem jeito. A receita está em reconhecer o outro. Ele lembra que a referência de vida do homem está no outro que é o seu companheiro, o seu filho, o seu pai, o seu funcionário. Ele conclui citando uma frase do filósofo Peter Singer: ''A solução para os problemas da humanidade é simples, se eu conseguir me doar para o outro nenhum problema vai existir''. n

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