No seu livro ''O Essencial'', Costanza Pascolato ressalta o hábito da mulher brasileira se enfeitar para as festas, que duram pouquíssimo tempo, e não se preocupar com o visual do dia-a-dia, vivendo, sem atenção, o teatro do cotididano. A consultora de moda cita as francesas como modelos a serem seguidos. ''Elas sempre inventam um lenço naquela manhã de segunda-feira, experimentam cores, prendem o cabelo de um jeito diferente'', escreve.
No outro extremo, há por aqui mulheres que se vestem para o trabalho como se fossem à festa: decotes, fendas, bijuterias demais... Como sempre, o segredo está no equilíbrio dos extremos. Vestir-se com esmero, caprichando nos detalhes, mas de forma discreta, é a receita para começar bem o dia de labuta, seja no escritório ou em lugares abertos, onde o contato com o público é mais intenso.
Para não errar, além de bom senso, ter um guarda-roupa funcional ajuda bastante. E na hora de escolher o que comprar, é preciso ter em mente que se trata de um investimento. Roupas de qualidade são mais caras, mas o número de horas de uso vai compensar enormemente. De acordo com Costanza, as peças essenciais, indispensáveis para qualquer biotipo de mulher, são apenas sete. Com elas, é possível fazer uma infinidade de variações para o trabalho e também para a festa e estar sempre elegante, seja qual for a moda vigente.
O roteiro começa com uma saia reta preta, na altura do joelho, de corte clássico. ''Os tecidos mais aconselháveis são as gabardines leves, os crepes pesados, aqueles que não deformam ou amassam. Um terno, de preferência preto, é o próximo item. ''A essência de seu corte de alfaiate, e só a essência, deve ser mantida. Nada de firulas, de botões em excesso, de qualquer desenho'', ensina. O jeans também deve seguir o mesmo princípio. ''Que seja o mais limpo e puro na forma, como uma segunda pele mesmo, confortável, reto e não muito justo. Deve 'desaparecer' no conjunto, de tão básico'', detalha Costanza.
E por falar em básicos, quem é que pode viver sem uma camisa branca clássica? Segundo a consultora, os tecidos mais recomendados são os algodões puros, com uma percentagem mínima de elastano e as cambraias de algodão e linho. O ideal é que esteja ligeiramente engomada. Cardigãs também são indispensáveis: de lã e cashmere para os dias frios, e linha, algodão ou viscose para o calor. ''O cardigã combina com tudo. Substitui o blazer ou paletó para ocasiões menos formais e fica elegante amarrado sobre os ombros''.
Próxima aquisição: a camiseta (uma branca e outra preta). De tão neutra, ''aceita colares, abriga blazers, faz parcerias perfeitas com calças de todas as cores'', observa Costanza. Mas atenção: ela deve ser de algodão de qualidade, viscoce ou multifibras e do tamanho exato do manequim, sem folgar nem apertar muito. E, finalmente, para completar o quebra-cabeças de estilo, o obrigatório vestido preto. ''A secretária, a amiga, a mãe, a produtora, a gerente, a artista plástica, a jornalista, a bailarina. Todas temos, ou devemos urgentemente ter: o pretinho''.
De acordo com a consultora, apesar de aparentemente estar em todas as mulheres, o pretinho deve ter uma aura de exclusividade, ou seja, precisa ser escolhido a dedo para esconder os defeitos e sublinhar as qualidades. Deve ser sem manga, ou de manga curta, de linha, crepe, jérsei, linho ou malha rígida, na altura dos joelhos (para as mais gordinhas) ou um pouco mais curto.

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