Receita contra o estresse
Gostar do que se faz, estabelecer prioridades, organizar o tempo e, especialmente, curtir a família são apontados pelos médicos como o remédio ideal contra o estresse na profissão. A rotina diária de sobrecarga de horários e trabalho e a constante convivência com o sofrimento, contribuem para o estresse que é inerente à profissão.
Médico há 10 anos, o cirurgião digestivo Antonio César Marson, 34 anos, que é também chefe do Pronto-Socorro do Hospital Universitário (HU) e coordenador do Siate, confessa que nem sempre é possível separar a vida profissional da familiar. ''Mantemos o vínculo com a profissão mesmo quando terminamos nossos atendimentos''. O estresse, para ele, não é ''privilégio'' dos médicos, pois as exigências de um mundo moderno e altamente competitivo o colocam intrínseco a qualquer profissão.
Marson prefere ver o lado bom do convívio com o sofrimento, ''como quando conseguimos restabelecer a saúde das pessoas ou auxiliá-las a ter uma vida normal'', destaca. As emergências, na sua opinião, tornam mais próximos o relacionamento médico-paciente. Para relaxar, ele conta com o apoio da esposa e dos dois filhos, um de 4 anos e outro com apenas três meses, além da prática de tênis, atividade que procura fazer ao menos três vezes por semana. Questionado se é feliz na profissão, Marson tem resposta rápida e categórica: ''Repetiria a escolha quantas vezes fosse necessário''.
Limites A pediatra Ides Miriko Sakassegawa Sperandio, 44 anos 20 deles dedicados à medicina , especialista em cirurgia e oncologia, destaca que além da organização do tempo, para vencer o estresse é fundamental aprender a lidar com as perdas ''Há limites no que podemos fazer: o da ciência e o da resposta do organismo de cada paciente''.
Ides reserva um tempo para o convívio com as filhas de 5 e 2 anos e o marido, que curte cinema. Ela diz que a profissão exige paciência de todos, pois passa muitas noites e finais de semana fora de casa. ''Eles colaboram muito comigo'', revela, destacando a contribuição que recebe das empregadas que cuidam de sua casa.
Para os que estão entrando na profissão, como a residente em clínica médica Ana Sílvia Machado, 25 anos, o estresse também é visto como ''parte'' do trabalho. ''É difícil impor limites pois nosso 'material' de trabalho é o ser humano, seus sentimentos, sua família''. Para ela, o apoio da família, dos amigos e os momentos de lazer são fundamentais nesse combate.
Sabedoria Já o residente em radiologia Renato Brogin, 32 anos, que é especialista em clínica geral, o caminho para se viver bem é administrar com sabedoria o estresse. O importante, para ele, é não permitir que se transforme em patologia impedindo a capacidade produtiva da pessoa. ''O estresse pode ser um estímulo para o trabalho e para se estar atento ao que a sociedade espera da medicina'', enfoca.
Brogin separa a profissão em três etapas de muita tensão e ansiedade: a graduação, a residência e o mercado de trabalho. Ele destaca que a medicina contemporânea está muito tecnificada: ''Exige-se mais conhecimento em um curto espaço de tempo''. E alerta que é preciso cuidado para que não se perca o lado humano da profissão. ''Lidamos com pessoas que têm anseios e angústias, e não com mercadorias. Temos que enxergar o contexto social, cultural e econômico onde estamos inseridos, para oferecermos melhor atendimento e conforto aos nossos pacientes''. n





