Razões distintas
Vencer desafios, esquecer o passado, buscar emoções são algumas das muitas justificativas que tentam explicar os motivos que levam as pessoas à prática de esportes radicais. Para os especialistas, ainda não há respostas sobre o que move os caçadores de aventuras a arriscar a vida ou a integridade física.
``Tem que ter um motivo único?``, questiona o médico e psicanalista Marcelo Castro, de Londrina. Para ele o principal perigo são os clichês impostos a essas pessoas. Na opinião dele, há vários outros esportes ``radicais`` sendo praticados de forma despercebida e sem a exigência de observações ou explicações. ``Quer coisa mais radical que um pai dar a chave do carro para o filho que pratica rachas na Higienópolis, `mamado` e até `cheirado?```.
Ele lista outras atividades, como o executivo obeso, fora de forma e sedentário que pratica futebol no final de semana; ou ainda o boxe e o automobilismo que não são tratados com a mesma atenção. A normalidade do sujeito, para Marcelo, não se define pelo tipo de esporte que pratica. ``Tem sujeitos `anormais` praticando esportes `normais```, observa.
Assim, a prática de esportes radicais pode ter motivações absolutamente inofensivas. Ele destaca, entretanto, que não há como negar que a proximidade da morte tem raízes profundas no ser humano. E, ainda, que vivemos numa sociedade ``espetaculosa`` e por isso queremos ser um espetáculo.
O psicanalista diz também que não se pode fugir do questionamento de qual será o limite da humanidade. ``É um fenômeno cultural e individualizado. Ninguém tem autoridade para generalizar, as razões são muito distintas``, conclui. (C.G)





