Rastros da paixão
PUBLICAÇÃO
quinta-feira, 05 de junho de 1997
Texto e Produção Celina Alonso Az De Maringá 
Você já viu alguém mais fora de órbita do que um ser apaixonado? A paixão desperta nos seres humanos uma série de estímulos indescritíveis. Da mesma maneira que acontece com os animais, esses estímulos reagem em cadeia e criam uma atmosfera de atração, na maioria das vezes incontrolável. Ao fazer a corte, nos momentos de paquera entre os humanos e até mesmo entre os animais, eles demonstram alterações na voz, na pele (pêlos ou penas) e em todo seu comportamento.
Quando um ser humano apaixonado confessa para outro que entre eles existe aquela coisa de pele, uma atração fatal, ele não está mentindo. Essa química existe mesmo e tem sido estudada por cientistas em todo o mundo.
Segundo o professor de química Luis Carlos Vieira Lopes, da Universidade Federal do Paraná (UFP), a culpa dessa bagunça no organismo do apaixonado é das substâncias químicas (ferhormônios -noradrenalina, endorfinas e outras) que são produzidas pelo organismo. Ao primeiro estímulo, elas desencadeiam todo um processo de encantamento que passa a nortear os sentimentos do ser apaixonado.
Os rastros do desejo ficam no ar. É só observar o que acontece com a abelha-rainha. Quando ela deixa a colméia e vai atrás dos machos para procriar, seu rastro atrai freneticamente os parceiros. Segundo o professor Lopes, isso acontece também com os seres humanos. Alguns chegam a dizer que as mulheres apaixonadas deixam um cheiro no ar. Há notícias de que foi realizado um teste, nos Estados Unidos, com três mulheres numa sala. Uma delas estava apaixonadíssima e as outras completamente desapaixonadas. Os pesquisadores fizeram entrar na sala cerca de 200 homens, um por vez, revezando-se ocultamente com as mulheres. Resultado: 80% dos homens escolheram sentar-se na mesma cadeira em que a mulher apaixonada havia se sentado.
As reações fisiológicas da paixão são muitas. Segundo o professor Rafael Bruno Filho, mestre em neurociências da Universidade Estadual de Maringá, essas reações são básicas no organismo dos seres vivos. Controladas pelo cérebro, elas fazem parte do processo de adaptação e desenvolvimento das espécies. E quando a paixão é desencadeada, a maioria dos seres não consegue ter controle racional sobre essas reações. Por isso é que dizem que o coração tem razões que a própria razão desconhece, brinca o professor da UEM.
As reações químicas da paixão provocam inúmeras alterações biopsíquicas. Olhos meigos, faces ruborizadas, mãos suadas e trêmulas, contração ou dilatação das pupilas são apenas alguns dos sintomas que levam ao êxtase e, em alguns casos, ao stress.


