Raro, mas real
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sexta-feira, 09 de fevereiro de 2001
Vivan Ávila Pavan Especial para a Folha da Sexta 
Quando o assunto é câncer de mama fica difícil visualizar outra imagem que não a de uma mulher. Na tevê, elas protagonizam campanhas que ensinam a detectar o mal precocemente. Em revistas, a bela modelo Gisele Bundchen alerta para o auto-exame: Tem que se tocar.
Tanta atenção ao problema não é à toa. Segundo o Instituto Nacional de Câncer, órgão do Ministério da Saúde, o câncer de mama é o que mais mata entre as mulheres. O Instituto previu o diagnóstico de 28.340 novos casos em 2000, com o registro de 8.245 mortes.
No homem, este tipo de câncer é raro, mas existe. Pela difícil frequência, o câncer de mama masculino não aparece em dados estatísticos. No Brasil, homens têm mais câncer de pulmão, próstata, estômago, esôfago, cólon e reto, revelam órgãos que monitoram os dados nacionais.
Números do Instituto do Câncer de Londrina constatam a reduzida incidência do câncer de mama no homem em comparação à mulher. Em 1999, o hospital atendeu 267 pacientes com câncer de mama, somente quatro eram homens. Pacientes homens com este tipo de tumor tinham entre 48 e 77 anos. O Instituto tratou também, em 99, 87 pacientes com câncer de próstata e oito com câncer de pênis.
Baixa incidência Conforme o médico ginecologista Luiz Carlos Alves Steffen, a incidência de câncer de mama masculino é equivalente a menos de 1% entre todos os tipos de câncer de mama. A explicação está no não desenvolvimento da mama no homem, como acontece com a mulher.
A estrutura das mamas masculina e feminina é a mesma somente na infância. Na mulher adulta é composta de tecidos glandular (formado por ductos e lóbulos) e estromal (responsável pela sustentação da mama). Com o passar dos anos, a menina tem a presença do hormônio feminino que faz com que a mama se desenvolva e ela possa amamentar. São os lóbulos que produzem o leite transportado através dos ductos até o mamilo. Como o homem não tem lóbulos, observa o médico, o câncer de mama masculino é intraductal na maioria dos casos. Na mulher, o intraductal corresponde a cerca de 80% dos tipos de câncer diagnosticados.
Hormônio feminino Steffen observa que o câncer de mama no homem está relacionado a um ambiente estrogênico, isto é, à presença do hormônio feminino. Entre outras causas, homens que tomam hormônios femininos ou apresentam ginecomastia (crescimento glandular mamário) estão mais predispostos a desenvolver a doença.
O crescimento da glândula mamária no homem ocorre por diversos fatores, todos relacionados à presença do hormônio feminino. A ginecomastia pode aparecer na adolescência ou na velhice, ser bi ou unilateral, mas é mais preocupante quando o crescimento atinge só uma das mamas, observa Steffen.
Auto-exame Homens com cirrose, disfunções hepáticas ou hipofunção da glândula testicular tendem a desenvolver a ginecomastia. Há também possibilidade de a disfunção estar relacionada à ingestão de antiulcerosos, anti-hipertensivos ou calmantes, muitas vezes, por automedicação.
Assim como para a mulher, que na grande maioria dos casos descobre alterações na mama através da palpação, o auto-exame é o meio de detectar nódulos endurecidos, irregulares, na mama masculina. Segundo o médico, nódulos de um centímetro são bastante palpáveis e, o que é melhor, são considerados precoces. Detectado o nódulo, e após exame clínico, o caminho é a biópsia, procedimento para detectar se a lesão é benigna ou cancerígena. A biópsia cirúrgica, como é chamada neste caso, remove parte ou todo o nódulo para exame microscópico. O procedimento é feito em hospital sob anestesia geral.


