Rapunzel preocupada
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quinta-feira, 01 de março de 2007
Herika Fondazzi<br>Reportagem Local 
Se existe algo que qualquer mulher se preocupa no visual, até mesmo as menos vaidosas, é o cabelo. Considerado a moldura do rosto, ele é fundamental para expressar feminilidade, estilo e personalidade. Curto ou comprido, pintado ou natural, alisado ou enrolado, as opções são tantas que as madeixas muitas vezes são como uma terapia. Não seria um exagero dizer que toda mudança feminina passa por uma transformação nos cabelos.
Mas para algumas mulheres toda essa magia pode se transformar em pesadelo quando os fios começam a cair sem parar. ''Para as mulheres o cabelo é algo muito importante. Quando elas percebem que está caindo muito, me procuram apavoradas. A queda pode piorar muito a auto-estima feminina'', diz a dermatologista Sílvia Santilli.
Infelizmente, segundo a especialista, perder cabelos é algo que faz parte da vida e piora com o avanço da idade. ''O normal é perder cerca de 100 fios de cabelo por dia. Depois dos 40 anos a tendência é que os fios fiquem mais finos e caiam mais, diminuindo o volume total. É um processo do envelhecimento. Mas exageros devem sempre ser investigados. Mulheres carecas ou com muito pouco cabelo são casos raros'', afirma.
Vários fatores podem causar a queda excessiva dos cabelos. O que traz danos mais sérios é uma doença chamada alopesia androgenética. ''As mulheres nesses casos se tornam mais sensíveis aos hormônios masculinos, que causam a queda de cabelo. O problema começa na puberdade e vai se agravando de forma bem lenta. Por isso as pessoas só percebem que há algum problema depois de muitos anos, geralmente na fase idosa. O cabelo fica mais fino que o normal e pára de crescer'', explica a dermatologista.
O tratamento é feito com medicamentos que inibem a produção de uma enzima responsável pela transformação da testosterona. ''Mas infelizmente a doença não tem cura. A paciente terá que tomar o remédio para sempre e o resultado geralmente demora para aparecer'', lembra Sílvia. Segundo ela a doença pode ser herdada dos pais, embora sejam as mães as mais responsáveis pela transmissão.
Mas os motivos mais comuns para que as madeixas comecem a ficar pelo chão e na escova são as alterações variadas que o organismo sofre, entre eles o estresse, disfunções de tireóide, anemia, gravidez, parto e menstruação. ''Eles podem tanto desencadear um processo de perda de cabelo como também piorar o problema da alopesia'', comenta.
Em qualquer caso, Sílvia diz que é importante procurar um médico e não acreditar em crendices ou produtos que prometem trazer os fios de volta. ''Muita gente acha que se lavar muito o cabelo, ele cai mais. Isso não é verdade. O cabelo que cai durante o banho já estava morto na cabeça e se soltou com o atrito. Deixar de lavar pode até piorar o visual, causando caspa. O ideal é lavar todos os dias, ou dia sim, dia não'', aconselha.
Já alguns inimigos considerados verdadeiros pelas mulheres, de acordo com a especialista são inofensivos. ''Usar tintura, secar o cabelo com secador diariamente e dormir com o cabelo molhado não provocam a queda. Assim como os xampus anti-queda não funcionam'', garante.
Mesmo aquelas felizardas que nascem com a cabeça com fartas madeixas de fios grossos e resistentes não estão longe de enfrentar a queda com o avanço da idade. Segundo a dermatologista, os fios caem em loiras, morenas ou negras, com cabelos lisos ou encaracolados. ''A única diferença é que se a mulher tem uma densidade alta de fios, ela pode perder mais cabelo antes de perceber uma mudança significativa'', comenta.
Para evitar que o cabelo fique muito ralo, o ideal é se prevenir. ''Manter uma alimentação balanceada, diagnosticar qualquer problema hormonal o mais cedo possível, tratar caspas e dermatites capilares e buscar tratamento quando o volume de cabelo estiver menor que o normal são as atitudes mais coerentes'', ensina Sílvia.


