Raízes e asas
Mães, pais, confiem mais na educação, nos valores que deram a seus filhos e dêem autonomia para que eles façam escolhas, aconselha a psicóloga clínica Simone Martin Oliani, há cinco anos trabalhando com orientação profissional.
Simone ouve, orienta, aconselha vestibulandos e pais que ela considera parceiros dos adolescentes na escolha da profissão. Pela experiência, observa que as mães deixam mais claro a sua ansiedade. Mães revelam a emoção, o afeto; os pais mais o aspecto prático da escolha, atesta.
A psicóloga cita provérbio oriental que diz que os pais devem dar duas coisas aos filhos: raízes e asas. A hora do vestibular é o momento de deixá-los voar. É a hora da separação. Mas saibam que eles irão voltar porque os pais e as mães, de forma especial, são o porto seguro, filosofa.
Simone lembra que nesse período da vida do adolescente, as mães devem se esforçar para transmitir serenidade. Poupar os filhos de qualquer sofrimento, superprotegê-los pode não ser o melhor caminho. A psicóloga salienta que as frustrações são também importantes para que vivenciem um processo de amadurecimento, o que propicia escolhas autônomas e a realização profissional. Os filhos crescem e devem ser estimulados a tomar decisões maduras e independentes, avalia.
De acordo com Simone, é função dos pais conversar dialogar sobre as profissões, áreas de atuação e as vantagens e desvantagens do mercado de trabalho. Não é tarefa fácil. Segundo informa, são mais de 1500 cursos de graduação, além de cursos técnicos para os quais não é preciso passar pelo vestibular e uma série de outras possibilidades profissionais que dia-a-dia surgem no mercado.
Estudantes do 4º anos de Psicologia, Ana Paula Alfredo, 23 anos, e Heloísa Ortega, 22, concordam que munir os filhos de orientações básicas sobre as diferentes profissões é dever dos pais.
Elas trabalham com orientação profissional dentro do estágio curricular do curso e observam que adolescentes chegam no momento da escolha do curso superior com pouquíssimo conhecimento sobre as profissões em geral.
Para Ana Paula, pais devem estar atentos, também, à individualidade dos filhos. Nem tudo o que deu certo ou errado para os pais, vai se repetir com os filhos, acredita. Adolescentes devem ser orientados para que façam suas próprias escolhas, completa Heloísa.(V.A.P.)





